
Autarquia pediu explicações sobre alteração do uso das antigas salas de cinema da Guarda
A Câmara da Guarda já pediu explicações à empresa gestora do centro comercial La Vie sobre a alteração do uso das antigas salas de cinema, alegadamente antes do procedimento legal e administrativo necessário estar concluído.
“A autarquia enviou, na altura, um parecer ao Ministério da Cultura, referindo que, pelo menos, uma sala teria que, ou deveria, ficar aberta. Sensibilizámos a tutela, sensibilizámos a empresa para isso e aguardamos ansiosamente aquilo que nos possam dizer sobre esse processo”, disse Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda à agência Lusa.
Já a Widerproperty, responsável pela gestão do centro comercial La Vie Guarda, numa resposta escrita enviada à agência Lusa, remeteu para mais tarde explicações sobre o assunto.
“Não nos parece curial nesta altura prestar declarações atinentes a processos legais e administrativos que se encontram em curso, ao abrigo da legislação em vigor, com especial destaque para a portaria publicada este ano, após envolvimento direto do IGAC [Inspeção-Geral das Atividades Culturais] e das mais altas instâncias do Ministério da Cultura, inclusive com intervenções públicas da tutela sobre a gestão, complexa, deste dossiê”, justificou a empresa gestora.
Na resposta, a Widerproperty acrescenta que, “oportunamente, serão partilhadas com o público as informações relevantes para a cidade da Guarda e os seus munícipes, devidamente enquadradas com as autoridades locais”.
A gestora do La Vie Guarda acrescenta que “o envolvimento e papel” destas entidades no processo “não pode ser desconsiderado, tanto no plano estritamente legal como na defesa dos interesses dos cidadãos da Guarda”.
A cidade da Guarda não tem exibição comercial regular de cinema desde final de 2025, quando a exibidora Cineplace entrou em processo de falência e encerrou várias salas no país, incluindo quatro no centro comercial La Vie desta capital de distrito.
Na altura, a autarquia declinou assumir o regresso do cinema comercial à cidade, nomeadamente no Teatro Municipal da Guarda (TMG), que acolhe mensalmente uma sessão promovida pelo Cine Clube da Guarda.
Na sequência do encerramento, os proprietários pediram a desafetação de atividade cinematográfica à IGAC de três das quatro salas, mas o pedido está pendente e aguarda uma decisão do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.
A decisão da tutela vai ser tomada à luz de uma nova portaria, que entrou em vigor em junho, que altera o regime de desafetação de atividade cinematográfica, na sequência de recomendações dadas por um grupo de trabalho.
Para tomar uma decisão, o Governo passa a precisar de pareceres, ainda que não vinculativos, de mais entidades, nomeadamente Cinemateca Portuguesa, Direção-Geral das Artes, municípios e Instituto do Cinema e do Audiovisual.
No passado dia 21, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, disse no Parlamento que aguardava os relatórios da IGAC sobre todos os pedidos de desafetação, que estão pendentes desde 2023, e que tomaria uma decisão “até novembro, impreterivelmente”.










