Última Hora
Mac Recrutamento
Pub Dv Projetosaprovados 20260720
Pub

Condomínios reclamam mudanças na lei seis meses após tempestades

Grande parte das situações relacionadas com seguros acionados na sequência das tempestades do início do ano está resolvida, embora “algumas vezes não da melhor forma”, assinala a associação de condomínios, que reclama mudanças na lei.

Portugal foi atingindo por uma série de depressões entre o final de janeiro e o início de março, das quais Kristin foi a mais grave.

Pelo menos 19 pessoas morreram na sequência da passagem das depressões Kristin, em 28 de janeiro, precedida das Leonardo e Marta, metade das quais em resultado dos trabalhos de recuperação, e várias centenas ficaram feridas, desalojadas e deslocadas.

Os temporais, que durante cerca de três semanas atingiram sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a 5 mil milhões de euros.

Na sequência dessas intempéries, foram desencadeados inúmeros processos junto das seguradoras, cujas contas finais não estão ainda fechadas.

Ora, de acordo com a lei, os edifícios têm tantos seguros quantas as frações que tenham, o que, no entender da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (APEGAC), não faz sentido.

“Isto resolvia-se com a obrigatoriedade de o seguro ser único para o edifício”, disse à Lusa Vítor Amaral, presidente da APEGAC.

“Esta foi uma grande dificuldade, porque, imaginemos um edifício com 100 frações, os seguros, sendo individuais, numa situação destas, que afetou as partes comuns e o edifício no seu todo, é necessário que haja 100 participações”, apontou.

Além disso, a lei, como está, abre a porta a decisões distintas: “uma seguradora entende que está coberto, a outra entende que não, uma seguradora tem franquias, a outra não tem franquias”.

A APEGAC defende que é necessário alterar a lei para prevenir situações futuras, mas não tem encontrado recetividade, nem junto da Secretaria de Estado da Habitação, nem da Associação Portuguesa de Seguradoras, nem dos grupos parlamentares.

O Governo recebeu cerca de 35.900 candidaturas para apoios à reconstrução de habitações e a estrutura de missão designada para a recuperação estimou entre 35 mil e 40 mil o número de empresas com danos nas zonas mais atingidas.

“Ainda há situações por resolver”, especialmente na zona Centro, refere o presidente da APEGAC, dando o exemplo de uma empresa que fez 63 participações, das quais 51 estão resolvidas, nove ainda estão por decidir e três ainda nem sequer tiveram peritagem.

Ainda assim, reconhece, “não se pode dizer que seja um balanço negativo” porque “o país não está, felizmente, habituado a este tipo de situações”. Ou seja, “não se esperava que, da parte das seguradoras, houvesse uma resposta imediata para a resolução de todos os problemas, que foram muitos”,

Para Vítor Amaral, outra questão é se as situações foram resolvidas da melhor forma e aí assume que “algumas vezes não”.

Isto “porque as seguradoras (…) ficaram aquém dos valores dos danos e em outras situações até com apresentação de soluções que não são as ideais, que não são as indicadas e que inclusive (…) não deveriam aplicar”, notou.

E voltou a deixar um exemplo: para um edifício destelhado, com um tipo de telha que está descontinuado, a seguradora propôs que aproveitassem a telha que ainda estava em condições, usando telha diferente apenas na parte danificada.

Vítor Amaral elencou ainda outra consequência das depressões: o facto de as seguradoras terem tido que alocar meios e peritos para responder aos sinistros teve impacto até na pequena sinistralidade, que, atualmente, pode ter de aguardar meses por uma peritagem.

“Nesta altura, haverá, talvez, (...) tendo a certeza de que não cairei no exagero, milhares de processos de sinistro que aguardam peritagem”, estimou.

A passagem da tempestade Kristin por Portugal provocou danos generalizados em telhados, fachadas, garagens e zonas comuns de inúmeros edifícios residenciais, expondo fragilidades estruturais na proteção de condomínio, disse a Associação Portuguesa de Gestão e Administração de Condomínios.

Na terça-feira, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) disse à agência Lusa que cerca de 1.600 clientes, na maioria da região de Leiria, ainda não tinham serviços fixos de comunicações.

Entretanto, foi anunciado nesta quinta-feira que Portugal vai receber um adiantamento de 65,37 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia (UE) para financiar a recuperação após as tempestades do início do ano.

Julho 25, 2026 . 11:45

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Seguir
Receba notificações sobre
0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right