
Guerra na Ucrânia ainda sem caminho rápido para um acordo
O secretário de Estado norte‑americano, Marco Rubio, afirmou esta quinta‑feira que os Estados Unidos estão preparados para ajudar a pôr fim à guerra na Ucrânia, mas que não existe ainda um caminho rápido para um acordo.
Rubio reuniu‑se na capital das Filipinas com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, e aludiu ao impasse das negociações mediadas pelos EUA, classificando‑as como "infrutíferas" no passado, mas garantindo que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está comprometido com o processo "se as condições mudarem para tornar isso possível".
"O desafio tem sido encontrar um fim que ambas as partes possam aceitar", disse Rubio, acrescentando que Washington está preparado para desempenhar esse papel caso surja a oportunidade.
O encontro decorreu à margem da reunião anual de ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Manila, onde Rubio também se reuniu com o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, e outros líderes.
O diplomata norte‑americano sublinhou que os EUA continuam focados na Ásia, apesar da intensificação do conflito com o Irão e da pressão sobre Cuba.
Lavrov, após o encontro, evitou responder a perguntas de jornalistas, mas o ministério russo dos Negócios Estrangeiros afirmou que transmitiu a Rubio "a inaceitabilidade de continuar a armar a Ucrânia" e reiterou a disposição de Moscovo para uma solução política e diplomática, em linha com os entendimentos alcançados na cimeira entre Putin e Trump no Alasca em 2025.
Rubio, por seu lado, disse que será necessário encontrar "novas propostas e ideias" aceitáveis para ambos os lados, mantendo o apoio militar norte‑americano à Ucrânia através da NATO.
Em paralelo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou que a sua prioridade é retomar negociações de paz.
Contudo, os esforços diplomáticos dos EUA têm sido ofuscados pelo conflito com o Irão, que se agravou após o colapso de um cessar‑fogo provisório.
Rubio advertiu que "o preço continuará a aumentar todas as noites até que Teerão recupere o juízo", acusando o regime iraniano de não estar pronto para um acordo. Trump ameaçou destruir infraestruturas iranianas em resposta a ataques contra navios no Estreito de Ormuz, enquanto Teerão respondeu com a doutrina de "olho por olho".
O debate da ASEAN centrou‑se também nas tensões no Mar do Sul da China, onde ocorreu um novo incidente entre forças chinesas e filipinas. A Austrália criticou o recente lançamento de um míssil a partir de um submarino nuclear chinês, classificando o teste como "provocatório e desestabilizador".
A China defendeu a operação como parte de exercícios anuais e disse ter notificado os países da região.
Rubio alertou que os incidentes no mar do Sul da China devem ser geridos com cuidado, pois um conflito económico ou militar entre os EUA e Pequim teria impacto global.
O secretário de Estado acrescentou que discutiu com Wang Yi a visita prevista de Xi Jinping a Washington em setembro, que acredita será "muito positiva".
Entretanto, a guarda‑costeira filipina acusou navios chineses de ações "ilegais e coercivas" contra embarcações que transportavam combustível para pescadores locais.
A Administração Trump tem criticado repetidamente as ações assertivas da China na região, em prejuízo de países mais pequenos como as Filipinas, aliado histórico dos EUA. Taiwan e membros da ASEAN como Vietname, Malásia e Brunei também estão envolvidos em disputas territoriais com a China.
A ASEAN espera concluir este ano as negociações com Pequim sobre um código de conduta destinado a evitar um conflito maior nas águas disputadas.









