Última Hora
Pub Dv Encruzarte 20260727
Mac Recrutamento
Pub Dv Projetosaprovados 20260720
Pub

Utilização de águas residuais tratadas na rega de vinhas sem impacto na saúde pública

“Não há perigos para a saúde pública para quem para beber estes vinhos provenientes das vinhas que foram regadas com águas residuais tratadas"

Investigadores concluíram que a utilização de águas residuais tratadas na rega das vinhas do Douro para a produção de vinho não constitui um perigo para saúde pública, anunciou hoje o consórcio Regadouro.

Em declarações à agência Lusa, a docente e investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Ana Novo Barros disse que, a partir do momento em que foram estudados 220 pesticidas e fitofármacos, ao longo dos três anos do projeto, conclui-se que não há perigos para a saúde pública e para quem beber os vinhos resultantes destas vinhas regadas com águas residuais tratadas.

“Não há perigos para a saúde pública para quem para beber estes vinhos provenientes das vinhas que foram regadas com águas residuais tratadas, porque não se registou a presença dos 220 pesticidas e fitofármacos, testados durante o projeto, e não se encontram presentes nos vinhos provenientes das parcelas de videiras estudadas”, referiu a investigadora.

Segundo Ana Novo Barros, as águas residuais apresentam um tratamento semelhante às águas de furos (artesianos) e não evidenciaram um aumento na concentração de resíduos dos pesticidas ou fitofármacos.

"Quando utilizamos a terminologia resíduos pensa-se logo em algo de prejudicial, e aqui não é o caso porque as águas residuais são tratadas e iguais a furos de rega”, justificou Ana Novo Barros.

Os ensaios desenvolvidos aconteceram no âmbito do projeto-piloto Regadouro, que decorreu na Quinta de Vale de Cavalos, localizada na Região Demarcada do Douro (RDD), no concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.

Neste projeto-piloto foram instaladas parcelas experimentais sujeitas a diferentes estratégias.

De acordo como os investigadores, os resultados das monitorizações técnico-científicas realizadas ao longo de três anos e as campanhas de rega no âmbito do projeto-piloto confirmam a ausência de impactos negativos nas propriedades do solo e da videira regada com águas residuais urbanas tratadas - designadas de Águas para Reutilização (ApR) -, por comparação com a rega convencional com água de furo.

“Os estudos evidenciam também que o solo manteve o seu equilíbrio químico e as microvinificações realizadas no âmbito das monitorizações atestam a ausência de qualquer influência adversa na maturação da uva e nos parâmetros de qualidade e segurança do vinho final produzido”, indica a investigação.

Durante o projeto, foram comparadas parcelas regadas com ApR, parcelas regadas com água de furo e parcelas sem rega, permitindo avaliar o comportamento da vinha em diferentes condições de disponibilidade hídrica.

Esta iniciativa foi criada para responder à crescente ameaça das alterações climáticas e à escassez hídrica na RDD, e teve como objetivo demonstrar a viabilidade técnica, ambiental e regulamentar da utilização das ApR na rega da vinha.

A ApR utilizada foi produzida a partir do efluente tratado da Estação Tratamento Aguas Residuais (ETAR) de Vale da Teja, gerida pela Águas do Norte, recorrendo a um tratamento complementar que combinou filtração com esferas de vidro como meio filtrante e desinfeção por radiação ultravioleta (UV), implementado pela empresa Veolia.

“Esta solução demonstrou uma elevada eficiência, assegurando consistentemente o cumprimento rigoroso de todos os requisitos de qualidade impostos pela legislação para a ApR”, indicam os resultados finais da investigação.

A aplicação de ApR revelou-se ainda uma alternativa sustentável que promove economia circular e uma aliada segura na resiliência e adaptação da viticultura às alterações climáticas.

Os resultados demonstraram que esta água contém nutrientes agronomicamente relevantes, como azoto e fósforo, que são reintroduzidos no sistema solo-planta através da rega, permitindo reduzir potencialmente a dependência de fertilizantes minerais externos.

Participaram neste consórcio de investigação a UTAD, Veolia, Águas do Norte, a produtora de vinhos Poças e a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).

As conclusões do projeto serão apresentadas na quinta-feira, pelas 10:30, no Museu do Côa, em Foz Côa.

Julho 8, 2026 . 18:45

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Seguir
Receba notificações sobre
0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right