
Investigadores do Porto validam estratégia para vacinas contra cancro colorretal
Os cientistas identificaram “vulnerabilidades imunológicas persistentes em tumores colorretais que poderão ser exploradas no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra o cancro”, afirma o instituto do Porto, em comunicado.
"Estamos perante uma das expressões mais avançadas da medicina personalizada. Cada vacina tem de ser desenhada para um doente específico, tendo em conta as mutações e os neoantigénios presentes no seu tumor. Uma mesma vacina não será eficaz em doentes diferentes", descreve José Carlos Machado, coordenador do grupo de investigação, citado na nota de imprensa.
O estudo, publicado a 11 de junho na revista científica Gut, “centrou-se em tumores colorretais conhecidos por produzirem muitos neoantigénios, isto é, moléculas alteradas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunitário como sinais de perigo”.
Na maioria das situações, o sistema imunitário “consegue interpretar esses sinais e eliminar completamente as células tumorais”.
Quando o mecanismo falha, “o tumor promove um ambiente imunossupressor que impede o sistema imunitário de completar a tarefa e, por isso, o tumor desenvolve-se”, explica Helena Xavier Ferreira, primeira autora do artigo.
Ao crescer, o tumor “não deixa de ser reconhecido pelo sistema imunitário” e “muitas das suas células sofrem mutações que resultam na produção de mais neoantigénios”, de acordo com o i3S.
“O desafio passa a ser ajudar o sistema imune adormecido pelo ambiente imunossupressor a fazer aquilo que já sabe fazer: atacar estas células com neoantigénios”, acrescenta Carlos Resende, um dos autores séniores do artigo.
O i3S considera que a descoberta “tem importantes implicações clínicas”.
“Ao identificar os neoantigénios que provocam uma verdadeira resposta imunológica, este trabalho fornece conhecimento fundamental para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra o cancro”, ou seja, vacinas concebidas a partir das características genéticas específicas de cada tumor.
O trabalho ajuda ainda a “compreender melhor a forma como os tumores evoluem sob a pressão exercida pelo sistema imunitário”, refere o instituto.
Os resultados “reforçam a perspetiva de uma nova geração de imunoterapias personalizadas, capazes de explorar as vulnerabilidades únicas de cada tumor e de potenciar a capacidade natural do organismo para combater o cancro”.








