
Homem suspeito de matar mulher em Viseu condenado a 18 anos de prisão
O homem suspeito de ter matado uma mulher a tiro no centro comercial Palácio do Gelo Shopping, em Viseu, foi hoje condenado a 18 anos de prisão efetiva. O coletivo de juízes do Tribunal de Viseu considerou provados seis crimes, nomeadamente, um crime de homicídio agravado, três crimes de homicídio agravado na forma tentada, um crime de detenção de arma proibida e uma crime por condução perigosa.
Os factos ocorreram a 27 de dezembro de 2024, na sequência de uma altercação entre membros de duas famílias que se encontravam naquele centro comercial. O suspeito fugiu, mas acabou por se entregar à Polícia Judiciária no dia 7 de janeiro de 2025.
“Só depois de ver que a minha família estava em segurança é que liguei para a minha advogada e entreguei-me à Polícia Judiciária”, contou o arguido ao Tribunal de Viseu, em março deste ano, no arranque do julgamento.
O arguido afirmou que, tal como suspeitava que fosse acontecer, a família de Josefa (que morreu na sequência de um tiro no peito) tentou vingar a sua morte. “Invadiram o acampamento, partiram tudo a mim e aos meus familiares, vandalizaram carros e mataram animais”, contou, explicando que não se podia ter entregado antes porque tinha de defender a sua família.
A inspetora da Polícia Judiciária Sandra Roxo, que acompanhou o caso, referiu ao coletivo de juízes que os elementos das duas famílias não se conheciam antes, confirmando o que tinha dito o arguido. “Falou-se que [o que aconteceu no Palácio do Gelo] era um acerto de contas, mas veio a ser demonstrado que se tratou de um conflito que se gerou naquele momento”, afirmou a inspetora.
O arguido assumiu, diante dos juízes, que fez vários disparos, alguns dos quais mataram Josefa e feriram Marcelo e Lia, mas garantiu que a sua única intenção era tirar a mulher e o filho de dentro do centro comercial em segurança. O homem admitiu que pegou numa arma que tinha comprado uns meses antes para se defender de umas ameaças que lhe tinham feito, dirigiu-se ao centro comercial e, ao chegar ao átrio, viu que a outra família ainda lá estava, o que o deixou “cego” e o levou a disparar para que saíssem de lá.
Questionado pelo presidente do coletivo de juízes se não teria bastado apontar a arma e ameaçado disparar se não abandonassem o local, o arguido respondeu que sim, mas acrescentou que “estava com medo, porque tinha sido agredido”.








