
Mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas na Venezuela após sismos
O coordenador das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, estimou hoje que mais de 50 mil pessoas estarão desaparecidas na sequência dos dois sismos que devastaram a Venezuela, advertindo que o número de mortos deverá “aumentar consideravelmente”.
“Trata-se de uma operação de socorro extremamente complexa. Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas e mais de 500 morreram. A busca nos escombros representa, por isso, uma tarefa colossal", declarou Tom Fletcher, em declarações a agência noticiosa France-Presse (AFP) em Genebra.
“Naturalmente que existe também a ameaça de réplicas, pelo que as equipas de socorro trabalham em condições de enorme complexidade", acrescentou o também subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários.
O mais recente balanço divulgado pelas autoridades venezuelanas aponta para pelo menos 589 mortos, mas a dimensão da destruição observada pelos jornalistas da AFP faz antever um número de vítimas mortais muito superior.
A título de comparação, sismos de magnitude semelhante provocaram mais de 200.000 mortos no Haiti, em janeiro de 2010, 73.000 mortos na Caxemira, em outubro de 2005, e cerca de 53.500 mortos na fronteira entre a Turquia e a Síria, em fevereiro de 2023.
“Cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. A nossa missão é encontrar o maior número possível de sobreviventes e manter o número de mortos o mais baixo possível, mas é evidente que esse número vai aumentar consideravelmente", reconheceu Fletcher.
Equipas de busca e salvamento provenientes de, pelo menos, 17 países estão a ser mobilizadas para participar nas operações de procura de sobreviventes, adiantou Fletcher.
“Temos atualmente 35 equipas destacadas no terreno. Isso representa mais de 1.600 operacionais especializados em busca e salvamento urbano e mais de 100 cães de salvamento”, precisou.
No terreno, sublinhou a ONU, estão já equipas de resgate do Chile, Colômbia, El Salvador, Espanha, Itália, México, Suíça e Estados Unidos.
Portugal, Reino Unido, República Checa, Equador, França, Alemanha, Jordânia, Países Baixos e Qatar estão igualmente a mobilizar equipas adicionais para reforçar as operações de busca.
“Estamos também a utilizar drones para aceder a edifícios inacessíveis às pessoas e localizar sobreviventes. Trata-se, por isso, de uma operação de grande envergadura”, acrescentou o responsável da ONU.
Também a partir da cidade suíça de Genebra, as agências das Nações Unidas e outras organizações humanitárias apelaram hoje à solidariedade, defendendo a necessidade de um "acesso humanitário rápido e sem entraves".
“O povo venezuelano precisa de solidariedade agora. A comunidade internacional não deve permitir que esta emergência se transforme numa tragédia humana ainda maior", advertiu, em comunicado, o Comité Permanente Interagências (IASC, na sigla em inglês), que reúne organizações não-governamentais (ONG) e agências da ONU.
Segundo o comité, a catástrofe “agrava uma situação humanitária já muito difícil”.
“Mesmo antes dos sismos, milhões de pessoas em toda a Venezuela enfrentavam insegurança alimentar, o colapso dos serviços de saúde, riscos em matéria de proteção e acesso limitado aos serviços básicos. Para muitas comunidades já vulneráveis, este novo choque é catastrófico", referiu o mesmo comunicado.
Recordando que as organizações humanitárias estão a colaborar na avaliação das necessidades e na prestação de ajuda vital, o IASC defendeu que “o acesso humanitário rápido e sem entraves, condições operacionais seguras e uma partilha transparente de informação são essenciais para que a ajuda chegue às pessoas que mais necessitam”.
O comité exortou igualmente “todas as autoridades competentes a facilitar as operações humanitárias” e a permitir “uma coordenação íntegra, inclusiva e eficaz, garantindo, ao mesmo tempo, que as mulheres e as raparigas tenham acesso prioritário aos serviços”.
O IASC apelou ainda à comunidade internacional para que “atue de forma rápida e decisiva, disponibilizando financiamento flexível e atempado para reforçar a resposta de emergência, incluindo abrigo, alimentação, cuidados de saúde, proteção, água e saneamento, bem como apoio psicossocial”.








