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O erro americano de Donald Trump

Junho 23, 2026 . 07:00
A diferença entre o que Donald Trump diz e a realidade vai um abismo.

De facto, a ideia de tornar a América novamente grande, frase resumo que apresentou ao seu eleitorado, como o principal objectivo da sua presidência, corre o risco de se tornar o símbolo do seu enorme fracasso, ainda que ele nunca o admita.

Aliás, nunca admitir nada que seja negativo, foi a primeira coisa que aprendeu na sua juventude com o seu mentor de então Roy Coin. Infelizmente para ele e para os Estados Unidos, a realidade tem muita força e a sua presidência deixará o país exausto e a perder uma parte da sua liderança em relação à China.

O erro da guerra das tarifas em relação à realidade dos resultados obtidos, o erro de lançar pela borda fora os seus aliados democráticos tradicionais a favor da sua admiração pelos chamados homens fortes, apenas favoreceu os adversários tradicionais da América, desde a Rússia à China.

Da mesma forma, a sua obsessão em expulsar os imigrantes num país de imigrantes, colidiu com uma parte do seu eleitorado e com a cultura democrática do país, cultura igualmente espezinhada na tradição norte americana de ajuda às instituições de solidariedade social em todo o mundo.

Finalmente, o seu sucessivo erro de julgamento fez de Trump a presa fácil da estratégia de muitos anos do primeiro-ministro de Israel Benjamim Netanyahu de atacar o Irão, o que poderá vir a constituir o maior erro da sua presidência, erro que tornou mais visível toda a sua impreparação como dirigente, tanto dos Estados Unidos como do chamado mundo livre. Ou seja, no fim do dia, Donald Trump tornará a América mais pequena e deixará o mundo em muito pior estado.

O recente acordo assinado pelos Estados Unidos e pelo Irão constituiu uma clara derrota para os Estados Unidos e uma primeira vitória para o Irão. No acordo de 14 pontos estão consignados cinco que implicam condições semelhantes para ambas as partes. Da responsabilidade do Irão estão previstos apenas 2 parágrafos (o 5 e o 8 ) mas o 5 é o que obriga o Irão a garantir a livre circulação dos navios no Estreito de Ormuz, ponto que só existe porque a transito foi interrompido pela guerra decidida por Trump, sendo que o 8 diz que o “Irão reafirma que não irá desenvolver armas nucleares”, ou seja, o que já existia no velho acordo negociado por Obama e que vale apenas pelo que pode ser verificado.

Pelo contrário existem cinco pontos que obrigam os Estados Unidos, como a obrigação de suspender imediatamente o bloqueio naval ( ponto 4); de criar um plano de reconstrução e desenvolvimento económico para o Irão de 300 mil milhões de dólares (ponto 6); a obrigação de eliminação progressiva de todas as sanções impostas ao Irão, (ponto 7) e que; enquanto não existir um acordo nuclear “ o Irão manterá o estado atual do seu programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem reforçarão a sua presença militar na região”( ponto 9) .

O ponto restante o 14 é o mais positivo porque trata da formalização do acordo final a ser feita no Conselho de Segurança da ONU, onde provavelmente tudo deveria ter começado.

Em resumo, estamos na presença de um péssimo documento, que é necessário apenas porque, mais uma vez, Donald Trump iniciou a guerra de forma ignorante e amadora, com resultados desastrosos para os Estados Unidos e para todo o mundo livre, na medida em que o regime assassino do Irão recebe assim um salvo conduto para continuar a oprimir o seu povo. Apenas a Rússia e a China poderão ganhar alguma coisa.

Junho 23, 2026 . 07:00

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