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Maioria de refugiados que chega a Portugal vêm de África e América latina

A maior parte dos refugiados que chegam a Portugal têm origem em países africanos e da América latina, revelou hoje à agência Lusa o diretor científico do Observatório das Migrações.

Pedro Góis, que participou em Carregal do Sal, distrito de Viseu, na conferência "Refugiados: Um Desafio Global, Uma Responsabilidade Comum – Políticas Públicas, Acolhimento e Integração no Século XXI", indicou que esta é uma das conclusões do último relatório do Observatório das Migrações divulgado na quinta-feira.

Segundo o responsável, o relatório teve como base “a necessidade de compreender o papel e posicionamento de Portugal” perante o fluxo de migrantes no mundo, assim como as práticas em vigor no país.

Para isso, foram analisadas estatísticas e a legislação portuguesas e as práticas em Portugal, assim como na Europa e ao nível mundial e, comparando com outros países, como Espanha, por exemplo, o país “recebe muito menos refugiados, porque não está numa linha da frente”.

“Espanha recebe muita gente nas Canárias ou no sul, mas Portugal recebe de sítios muito específicos como de países africanos e da América latina e, por isso, há necessidade de olhar para essa realidade com outros olhos”, afirmou.

Segundo este responsável, isso deve-se a um conjunto de razões como a “proximidade, a possibilidade de se locomoverem para Portugal por ligações aéreas que existem e por redes de contacto já existentes” no país.

“Mas é expectável que Portugal venha a desempenhar outros papéis no futuro e venha a ser local de acolhimento para outros grupos e, por isso, temos também de pensar nessa realidade”, adiantou.

O papel de Portugal, no seu entender, é o de “seguir o legado de Aristides de Sousa Mendes” e também por isso decorre hoje na terra Natal do cônsul, em Carregal do Sal, no distrito de Viseu, uma conferência a propósito do Dia Mundial do Refugiado, que se assinala a 20 de junho.

“O humanismo é a nossa principal causa e acolhermos quem de nós precisa e fazermos desse acolhimento um lugar exemplar de humanidade”, acrescentou Pedro Góis que falava à agência Lusa à margem da conferência.

A principal conclusão do relatório, no que diz respeito às práticas portuguesas, segundo disse, é que o país necessita de “ter um acolhimento mais integrado, incluindo as autarquias, porque não é um papel que deve estar reservado ao Estado central”.

“As autarquias têm, de facto, de dar um passo em frente, porque essa integração vai acontecer no local e, em certo sentido, acrescentar o potencial desta população que chega para rejuvenescer as suas populações ou ir ao encontro de necessidades que possam ter em algumas áreas, laborais ou outras, para se integrarem com a população local e funcionar”, defendeu.

Atualmente, os refugiados concentram-se “maioritariamente nas grandes cidades, porque é aí que se encontram os centros de acolhimento”, mas, no seu entender, “isso é um plano do passado, o do futuro tem que ser o de uma maior disseminação por o território” nacional.

Estas questões têm de ser trabalhadas a curto, médio e a longo prazo, defendeu, sendo que a médio prazo, passa por mais centros de acolhimento no país, e a longo, passa por uma “estratégia mais bem construída que envolva todo o país”.

“A curto prazo é mantermo-nos humanos. Não desistir desta nossa capacidade de acolher. É o mais importante, num tempo em que a extrema-direita aponta o dedo aos refugiados, aos imigrantes, é resistirmos e dizermos que queremos continuar a ser humanos”, vincou.

Segundo Pedro Góis, que também é professor de Economia na Faculdade de Coimbra, as “migrações forçadas, que são as que solicitam refúgio em larga escala, não estão a diminuir, ao contrário, estão a aumentar”.

“E as soluções para estes refugiados estão a desaparecer dos países mais centrais da Europa e Estados Unidos e estão a ficar limitadas aos países à volta das zonas de conflito e essas pessoas ficam mais desprotegidas”, acrescentou ainda Pedro Góis.

Junho 19, 2026 . 17:30

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