
Vinhas destruídas, árvores caídas e estradas inundadas. Temporal "arrasa" norte do distrito de Viseu
A população do distrito de Viseu acordou esta quinta-feira de duas formas bem diferentes. Enquanto no centro e sul da região o dia começou normalmente, com milhares de pessoas a seguirem para mais uma jornada de trabalho, a norte do distrito a manhã foi passada a fazer contas aos prejuízos deixados pelo temporal que atingiu a região durante a tarde desta quarta-feira.
São João da Pesqueira, Armamar, Penedono e Tabuaço foram alguns dos concelhos mais afetados por uma intempérie que trouxe chuva intensa, granizo e fortes rajadas de vento. O resultado foi um cenário de destruição em vários locais, com estradas inundadas, árvores derrubadas e danos avultados em vinhas e explorações agrícolas.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já tinha colocado a região sob aviso laranja devido à previsão de trovoadas e sob aviso amarelo para aguaceiros, acompanhados de granizo. E a previsão acabou por confirmar-se da pior forma.
Segundo os dados do instituto, a estação meteorológica de Pinhão – Santa Bárbara, em Sabrosa, a 10 minutos de Tabuaço, registou rajadas de vento na ordem dos 80 km/h por volta das 15h00. Mas foram as imagens captadas ao longo da tarde que mostraram verdadeiramente a dimensão do fenómeno. A página Meteo Trás-os-Montes foi partilhando vídeos e fotografias em tempo real, revelando nuvens ameaçadoras, queda intensa de granizo e os primeiros sinais dos estragos provocados pela tempestade.
Em Tabuaço, nem o recinto das Festas de São João escapou à força do mau tempo. A estrutura do evento sofreu danos significativos e obrigou a uma rápida mobilização de trabalhadores, voluntários e habitantes. Em comunicado, a Câmara Municipal de Tabuaço descreveu o dia como “particularmente desafiante”, mas destacou a união da população perante as dificuldades, sublinhando que o espírito de solidariedade foi uma das notas mais positivas de toda a situação.
No setor agrícola, os prejuízos prometem ser elevados. A Quinta do Javali, em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, e a Quinta do Monte Travesso, em Barcos, Tabuaço, foram duas das propriedades que partilharam imagens impressionantes dos danos provocados pelo temporal.
Árvores tombadas ou partidas ao meio pela força do vento e centenas de metros de vinha destruídos pelo granizo são algumas das consequências visíveis de uma tarde que dificilmente será esquecida pelos produtores da região.
Em Armamar, houve ainda quem tentasse travar os efeitos da tempestade recorrendo aos conhecidos canhões anti-granizo. Pouco comuns para quem vive no centro ou sul do distrito, estes equipamentos são utilizados sobretudo em regiões agrícolas e vitivinícolas. Funcionam através da criação de ondas de choque sonoras que são disparadas em direção às nuvens, numa tentativa de impedir a formação de granizo de grandes dimensões.
Cada canhão consegue proteger uma área próxima dos 80 hectares, sendo uma ferramenta frequentemente utilizada para defender vinhas, pomares e outras culturas agrícolas.
O episódio volta a demonstrar a intensidade dos fenómenos meteorológicos que têm marcado os últimos meses. Apesar de o verão estar praticamente à porta, os períodos de instabilidade continuam a surgir com frequência e, por vezes, de forma bastante violenta.
As previsões do IPMA apontam para a possibilidade de novos aguaceiros e trovoadas durante o próximo fim de semana, especialmente no domingo. Tudo isto numa altura em que as temperaturas deverão voltar a disparar, com máximas entre os 35 e os 39 graus, precisamente no concelhos que esta semana sentiram os efeitos mais severos da tempestade.







