
EUA querem estreito de Ormuz "aberto e sem portagens"
“Esperamos que o estreito seja reaberto sem portagens a longo prazo, e é esse o tipo de coisas que discutiremos nas negociações técnicas”, que deverão começar sexta-feira e durar dois meses, disse, em declarações à televisão CNBC.
A agência de notícias semioficial Fars avançou hoje que o Irão acrescentou uma cláusula de última hora ao projeto de acordo com os Estados Unidos, estipulando a imposição de taxas pelos serviços marítimos no estratégico estreito de Ormuz, por onde costumava passar cerca de um quinto do petróleo mundial.
Anunciado no domingo à noite pelo primeiro-ministro paquistanês e confirmado pouco depois por Washington e Teerão, o documento, que ainda não foi divulgado publicamente, apela ao fim da guerra iniciada a 28 de fevereiro e à reabertura de Ormuz.
“Autorizo totalmente a reabertura do estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir”, afirmou o Presidente dos EUA, Donald Trump, numa mensagem publicada de madrugada na sua rede social, acrescentando que a abertura do canal acontecerá “assim que o acordo for assinado, na sexta-feira”, na Suíça.
A imposição de portagens também já foi rejeitada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou a exigência de Teerão como um retrocesso.
“Isso criaria um precedente. Existem muitos outros estreitos no mundo: se cobrarmos portagens sempre, qual será a consequência? Os preços vão aumentar para todos”, argumentou Macron numa entrevista dada à margem da abertura da cimeira do G7.
O chefe de Estado alertou que França, Reino Unido, Itália e Países Baixos estão preparados para mobilizar rapidamente recursos e ativos no âmbito da missão internacional destinada a garantir a segurança do tráfego marítimo na zona e sublinhou que o porta-aviões nuclear francês ‘Charles de Gaulle’ poderá chegar à zona “em dois ou três dias” após a confirmação do acordo.
“Faremos todos os possíveis para garantir que não há portagens e que os preços não sobem”, disse, adiantando que um dos principais objetivos dos países do G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) é evitar quaisquer medidas que possam aumentar o custo do transporte de hidrocarbonetos e levar a preços mais elevados da energia.







