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Há "certa preocupação" entre portugueses na Suíça com referendo anti-imigração

Iniciativa visa limitar a imigração para impedir que a população residente permanente ultrapasse essa fasquia de habitantes até 2050

Os imigrantes portugueses na Suíça encaram com “uma certa preocupação” a consulta popular do próximo domingo sobre um eventual ‘travão’ à imigração, uma iniciativa da direita radical, disse à Lusa um dos conselheiros da comunidade lusa no país.

No domingo, os suíços são chamados às urnas para se pronunciarem sobre uma iniciativa impulsionada pela União Democrática do Centro (UDC, direita radical), intitulada “Não a uma Suíça com 10 milhões de habitantes”, e que visa limitar a imigração para impedir que a população residente permanente ultrapasse essa fasquia de habitantes até 2050.

A iniciativa prevê que, se a população suíça, atualmente estimada em 9,1 milhões de habitantes, ultrapassar os 9,5 milhões antes de 2050, as autoridades terão de tomar medidas corretivas, nomeadamente em matéria de asilo e reagrupamento familiar.

Apesar de merecer a oposição do Governo suíço – que teme graves consequências para certos setores económicos e receia que possa comprometer as relações com a União Europeia, o principal parceiro comercial do país -, assim como dos sindicatos e patronato, o resultado da consulta é uma incógnita, com as sondagens a apontarem para uma ligeira vantagem do “não” à imposição de um ‘teto’ ao número de residentes no país, onde mais de um quarto da população (2,5 milhões) é de origem estrangeira.

“Há uma certa preocupação, não por aqueles [portugueses] que já cá estão, mas por aqueles que eventualmente poderão vir a seguir, pois continuam a chegar ano após ano. A esses é que se colocará o problema se isto viesse a ser aprovado”, comentou à Lusa o conselheiro João Figueiredo, apontando que a medida poderia dificultar o reagrupamento familiar e levar a que se repetisse “o cenário dos anos [19]80, quando os portugueses vinham por alguns meses e depois tinham de ir embora”.

Manifestando-se convicto de que esta iniciativa vai ser chumbada na consulta de domingo, João Figueiredo disse que a comunidade portuguesa, ainda assim, não se sente visada por esta iniciativa, apesar de ser a terceira maior comunidade estrangeira na Suíça (no final de 2025, havia 264.341 portugueses com título de residência no país).

“Não sentem que seja dirigida contra eles. A comunidade portuguesa é muito valorizada aqui na Suíça, os portugueses sempre foram considerados bons trabalhadores e cidadãos exemplares, que vêm para trabalhar e não para usufruir do sistema. É muito bem vista aqui”, declarou.

Para ser aprovada, e à semelhança do que sucede com qualquer modificação constitucional na Suíça, esta iniciativa deve obter uma dupla maioria na consulta de domingo: a maioria dos votos ao nível nacional e a vitória na maioria dos 20 cantões do país.

Junho 12, 2026 . 20:45

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