
Museu do Côa inaugura exposições que refletem sobre contemporaneidade e arte rupestre
A exposição “Parte do Chão”, primeira mostra do coletivo João Massano, Maria Luísa Capela e Sebastião Castelo Lopes, revisita, no traço da contemporaneidade, a arte rupestre do vale do com mais de 25.000 mil anos de história da humanidade.
Em declarações à agência Lusa, Maria Luísa Capela explicou que a exposição revela uma nova leitura das vivências do Vale do Côa, resultado de uma residência artística.
“Estivemos em contacto com este território vários meses", disse a artista à agência Lusa. "Depois fizemos uma residência artística de três semanas e fizemos os nossos trabalhos. No âmbito da curadoria avançámos com a seleção das obras que vamos colocar nesta exposição onde colocamos uma leitura contemporânea sobre a arte milenar do Côa”.
A exposição "Parte do Chão" culmina assim "numa proposta de diferentes materiais dos três artistas, sendo patente que a linguagem plástica é distinta" entre eles, "mas cruza-se na temática, na qual conectam questões contemporâneas com o espaço do Côa”.
“As obras refletem um trabalho coletivo de recolha e contacto com o lugar do Vale do Côa, materializando-se numa linguagem maioritariamente gráfica”, sublinhou.
No trabalho de João Massano, segundo o texto de apresentação da exposição, "as referências a estas paisagens são evidentes: os planos fundem-se, diluem-se, invocando no espectador um lugar entre um espaço real e o onírico".
Na obra de Maria Luísa Capela, "a gestualidade marcante do traço habita as suas pinturas rítmicas, móveis, remetendo para os mecanismos primordiais da pintura: uma plasticidade rugosa, bruta e sensível", como se lê na apresentação da mostra.
Sebastião Castelo Lopes, por seu lado, "apresenta uma abordagem 'beckettiana' ao tempo, em que a referência aos símbolos se impõe de um modo poético: o osso associado à palavra, [...] carregando em si múltiplos significados na relação lírica e enigmática que estabelece com o texto".
Quanto à exposição "Perspetivas Contemporâneas da Paisagem", com curadoria e autoria das artistas Romy Castro e Sofia F. Augusto, surge em colaboração com a Hawk Stars ONG, com sede em Pinhel, no distrito da Guarda.
À Lusa, Sofia F. Augusto explicou que o tema da paisagem e dos materiais da terra é trabalhado por ambas as artistas em trabalhos que se cruzam nos conceitos.
“Este trabalho tem tudo a ver com Museu do Côa, porque trabalha os temas da expressão primordial do homem, como as gravuras [rupestres] que têm muito a ver com a paisagem, e achamos que seria o sítio ideal para apresentarmos os nossos trabalhos”, vincou.
Aqui há igualmente uma aproximação da arte contemporânea à arte milenar do Côa, que a artista Romy Castro explora em carvão.
“Há todo um trabalho de investigação por trás e daí haver uma perspetiva contemporânea sobre algo milenar”, sublinhou a artista.
As duas exposições vão ocupar as salas 1 a 3 do Museu do Côa até 27 de setembro, no âmbito das comemorações do 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa.
"Parte do Chão" e "Perspetivas Contemporâneas da Paisagem" sucedem à mostra de desenho e pintura de Silva Porto (1850-1893), sobre as paisagens do Douro Vinhateiro, e a "ViViFiCAR”, projeto dos fotógrafos Augusto Brázio, James Newitt e Lara Jacinto.
Em 2025, o museu expôs “Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade” e “A Marginália de Amadeo”, dedicada ao universo de Amadeo de Sousa Cardoso.
Desde 2022, as exposições temporárias mais visitadas do Museu do Côa foram “Paula Rego - Rotura e Continuidade” (60 mil pessoas), "Dark Safari", a partir da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (38 mil), e "Mapas da Terra e do Tempo", de Graça Morais (37 mil pessoas).







