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Unicef regista 15 crianças mortas numa semana no Líbano

Ricardo Pires relatou que a maioria destas crianças foi atingida por ataques aéreos no sul do Líbano

Quinze crianças foram mortas e 62 ficaram feridas na última semana no Líbano, onde Israel intensificou os ataques militares, indicou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Só na última semana, registaram-se 15 mortos e 62 feridos, uma média de 11 crianças mortas ou feridas por dia", condenou o porta-voz da Unicef aos jornalistas em Genebra.

Ricardo Pires relatou que a maioria destas crianças foi atingida por ataques aéreos no sul do Líbano.

Só na quinta-feira, “sete crianças foram mortas e 30 ficaram feridas", acrescentou.

O Governo libanês e Israel acordaram um cessar-fogo com entrada em vigor a partir de 17 de abril, que não é reconhecido pelo grupo xiita Hezbollah, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso.

Desde o início da trégua, que nunca foi respeitado, a Unicef contabilizou 55 crianças mortas e 212 feridas.

Na quinta-feira, ataques aéreos israelitas mataram pelo menos 14 pessoas no sul do Líbano, onde Israel alargou a "zona de combate" contra o Hezbollah, e três, incluindo duas crianças, perto de Beirute, segundo o Ministério da Saúde libanês.

"Reiteramos o nosso apelo a todas as partes para que respeitem integralmente o cessar-fogo e cumpram o direito internacional em todas as circunstâncias", insistiu Ricardo Pires.

O porta-voz recordou que o direito internacional humanitário implica que “as crianças e as infraestruturas civis devem ser protegidas em todos os momentos" e reiterou que as organizações humanitárias devem ter acesso "seguro, rápido e irrestrito" a todas as áreas afetadas, sobretudo no sul do Líbano.

Por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que “a ameaça de escalada da atividade militar está a gerar sérias preocupações com a saúde da população" libanesa.

"Até à data, neste conflito, 16 hospitais e 13 centros de cuidados de saúde primários foram danificados em ataques ao sistema de saúde. Três hospitais continuam encerrados", assinalou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em conferência de imprensa.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que as tropas israelitas atravessaram o rio Litani, anterior linha de demarcação no sul do Líbano, e estão a avançar no sul do país.

Na véspera, as autoridades israelitas tinham anunciado que a área de operações contra o grupo xiita apoiado pelo Irão foi estendida do anterior limite, demarcado pela “linha amarela” no rio Litani, para o rio Zahrani, a cerca de 40 quilómetros da fronteira entre os dois países.

O porta-voz da OMS afirmou que o acesso a cuidados médicos de emergência e a serviços de saúde materna a sul do rio Litani "continua a ser extremamente limitado".

Christian Lindmeier alertou que os doentes enfrentam atrasos até 48 horas para obter autorização de deslocação para centros de referência, o que representa riscos significativos para a saúde, incluindo o aumento da morbilidade e mortalidade materna.

A par da intensificação das operações contra o Hezbollah, Netanyahu anunciou também o objetivo de aumentar o domínio territorial de Israel na Faixa de Gaza para 70%, apesar do cessar-fogo com o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde 10 de outubro, altura em que controlava cerca de metade do território.

Para a Unicef, este objetivo na Faixa de Gaza aumentará o sofrimento das famílias palestinianas, já privadas dos serviços mais básicos, e dificultará o trabalho das organizações humanitárias.

“A situação é desesperada e concentrar as pessoas num espaço tão reduzido está a causar ainda mais problemas do que os já existentes. Esta sobrelotação está a provocar a propagação de doenças, a sobrecarregar os sistemas e, naturalmente, a reduzir muitos serviços”, alertou o porta-voz da Unicef Salim Oweis no território ocupado.

O número de mortos na Faixa da Gaza durante o cessar-fogo, em vigor com Israel desde outubro do ano passado, ascende a 904, indicou esta semana o Ministério da Saúde do enclave palestiniano controlado pelo Hamas.

No âmbito do cessar-fogo e da proposta dos Estados Unidos, Israel e Hamas têm pendente a segunda fase de um acordo de paz, mas negociações não conheceram avanços nos últimos meses.

Os Estados Unidos patrocinam igualmente as conversações de paz entre Líbano e Israel, que se encontram ameaçadas pelos ataques aéreos do Hezbollah e pela intensificação das operações israelitas no Líbano.

O Presidente libanês, Joseph Aoun, transmitiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que a aplicação do cessar-fogo com Israel é uma condição prévia para qualquer avanço diplomático entre os dois países.

As negociações de paz estão ligadas às conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica.

Teerão tem exigido reiteradamente que a cessação das hostilidades deve abranger todo o Médio Oriente, incluindo o Líbano, enquanto Israel afirma que não se vai deter enquanto o Hezbollah não for desarmado e neutralizado.

O país foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 3.324 pessoas morreram, incluindo cerca de 200 crianças e acima de 100 profissionais de saúde, e mais de 10 mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.

Maio 30, 2026 . 09:00

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