
Vinho e queijo juntos em Viseu para contar histórias de saberes e sabores deste território
Vinhos, queijos e outros sabores que combinam na perfeição vão ser servidos no final deste mês, dias 29, 30 e 31, no Mercado 2 de Maio, em Viseu.
Falamos do Prove Vinho & Queijo que dá para quem aprecia, mas também para quem ainda não descobriu os verdadeiros sabores das regiões demarcadas presentes no evento, como o vinho.
E estamos a falar da excelência dos vinhos do Dão, Bairrada e Beira Interior a que se juntam os queijos Serra da Estrela, Beira Baixa e Rabaçal. Mas haverá muitos outros sabores da região a serem harmonizados com vinhos e queijos numa forma saborosa de promoção deste território.
E os números falam por si. Cerca de 40 produtores, mais de 100 vinhos, 23 queijos com degustação, sete restaurantes, nove produtores que serão o rosto do melhor que se pode saborear ao longo de três dias.
Considerando que este evento nasce de uma ação coletiva entre os Provere dos vinhos e dos queijos, um projeto financiado pelo Centro 20230 através da CCDR Centro, Cristelle Domingues, autarca de Castelo Branco, reconheceu que se “pretende trabalhar numa montra coletiva que possa identificar e mostrar aos consumidores o melhor do território ao nível gastronómico”.
E é isso que vai acontecer no final do mês onde os sabores se irão misturar com os saberes, com atividades e animação para cativar visitantes que, com moderação, possam descobrir os bons vinhos desta região, como sublinhou o presidente da CVR Dão, Manuel Pinheiro.

Produtos excelentes. Acima de tudo com pessoas
“O vinho é muito marcado por pessoas, o que se passar-se-á exatamente com os queijos. Aqui vamos ter três regiões demarcadas porque são únicas no mundo. Os nossos vinhos, Bairrada, Dão e Beira Interior não são melhores nem piores do que os outros, são únicos no mundo porque são marcados pelo clima, pelo sol, pelas castas que só podem ser descobertos se visitarem esta região”.
O convite está feito e o desafio também, na medida em que “será através destas parcerias e com todos a remar no mesmo sentido que se conseguirá trazer pessoas ao território e a desgustarem aquilo que aqui há para oferecer, numa celebração do que há de melhor”.
Garantindo que “no evento vão estar grandes vinhos, grandes queijos que serão harmonizados com a gastronomia da região”, Manuel Pinheiro considera, no entanto, que o “mais importante é receber as pessoas de braços abertos, convidado-as a conhecer a região, como já se fez há dois anos em Coimbra e como será feito muito em breve na Beira Interior”.
Quanto aos vinhos, o presidente da CVR Dão enfatizou o facto das regiões do Dão, da Bairrada e da Beira Interior trabalharem em conjunto porque são diferentes e complementares.
“E por isso as três regiões, com as suas sub-regiões, apresentam-se aqui neste espaço com os seus produtores sempre com uma mensagem de consumo moderado que queremos transmitir aos consumidores, para que possam descobrir como nós somos três regiões que fazemos grandes vinhos”, afirmou, apontando a excelente posição geográfica de Viseu quanto a Lisboa, a Coimbra, a Aveiro e ao Porto que lhe permite cativar mais visitantes que venham conhecer a cultura, a gastronomia e vinhos, aproveitando para visitar e conhecer produtores que vão estar de portas abertas para os poderem receber.
“Temos de apostar na proximidade com Espanha”
E também a Espanha, como acrescentou o presidente da Turismo do Centro de Portugal, que é “o mais importante mercado de turismo para este território”. Sublinhando a centralidade de Viseu e o facto desta região estar no coração da região Centro, Rui Ventura lembra a proximidade a Espanha considerando que este consórcio dos vinhos e queijos terá de avançar para uma promoção no território vizinho.
Reconhecendo que a melhor promoção do Centro de Portugal são os produtos autênticos, mas também o património, seja o natural, seja o edificado, sempre de forma articulada para cativar mais visitantes”, Rui Ventura avisou com alguma preocupação que “os dados de março apontam uma baixa de 8,4% no turismo interno no Centro de Portugal, mas também no turismo de proximidade com Espanha em 4,8%”.
Assumindo-se o impacto do mau tempo nestes números, o certo é que cada vez mais se deve olhar para Espanha como um mercado a cativar. Como? Mantendo a autenticidade dos produtos já que a sua diversidade é um pilar fundamental nesta atração de visitantes.
Quanto ao evento, Rui Ventura considera que o “Prove é seguramente uma forma muito clara de afirmação daquilo que é mais genuíno no Centro de Portugal e que é a autenticidade, a identidade, a excelência dos produtos e o bem receber”.
“É com eventos que se promove e cativa turistas”
Foi com orgulho que o presidente da Câmara Municipal de Viseu se referiu ao facto da segunda edição do Prove Vinho & Queijo acontecer na cidade considerando importante que a região sirva de farol e possa contribuir para contrariar a quebra do turismo na região Centro afetada pela calamidade climática.
Reconhecendo a necessidade de Viseu se assumir como a locomotiva da região para atrair mais investimento e mais turismo, João Azevedo sublinhou que isso só se consegue com evento e iniciativas.
“Hoje, o Prove Vinho & Queijo representa a qualidade que temos na região Centro”, afirmou o também presidente da CIM Viseu Dão Lafões, somando ao evento outros de igual importância para encher o território, como o Vê Portugal, mas também o Rallye de Portugal em 2027, ou a Gala Michelin tendo em conta os grandes chefs promotores da gastronomia.
Mas a tudo isto se acrescenta a capacidade de atração do investimento público com João Azevedo a dar o exemplo da Cidade do Vinho, um projeto da CVR Dão que terá um museu do vinho do Dão.
“Um projeto de grande ambição que será palco de promoção, formação e talvez alojamento”, disse, avançando com a importância do investimento privado com mais hotéis, mais serviços de turismo, mais rotas do turismo. E reconhecendo que se tudo isto for feito “daqui a uns anos o território vai ter muito mais turismo, vai pagar melhor e vai ter melhor qualidade de vida”.








