
Seminário Maior de Viseu transforma-se em residência com 75 camas para alunos universitários
O Seminário Maior de Viseu vai agora ganhar uma nova função: acolher uma residência universitária com cerca de 75 camas, no âmbito de um acordo entre a diocese e o município, que reorienta investimento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para o edifício.
O protocolo assinado ontem no Seminário Maior, junto ao Largo de Santa Cristina, prevê a adaptação dos pisos 3 e 4 para habitação estudantil a custos acessíveis, num investimento de cerca de dois milhões de euros e um prazo de execução de 124 dias.
A solução resulta da reprogramação de verbas que estavam inicialmente destinadas à reabilitação de três edifícios na rua do Gonçalinho, onde estava prevista a criação de uma residência para 52 estudantes.
A empreitada acabou por ser suspensa depois de a Câmara de Viseu ter rescindido o contrato com o empreiteiro, em dezembro do ano passado, após a admissão de que a obra só estaria concluída entre julho e agosto de 2026, ultrapassando o prazo limite do PRR.
Perante esse cenário, o município optou por redirecionar a verba para o Seminário Maior, garantindo a continuidade do investimento e uma nova resposta de alojamento para estudantes deslocados no concelho.
Durante a cerimónia de assinatura, o presidente do Município de Viseu, João Azevedo, considerou o acordo “um momento histórico”, sublinhando que a solução permite ultrapassar um bloqueio e assegurar a utilização dos fundos do PRR. “Resolvemos um problema que estava a acontecer e recuperámos a tempo”, afirmou, destacando a cooperação institucional entre autarquia e diocese.
O autarca sublinhou ainda que o projeto resulta de um esforço conjunto e reforça a capacidade de resposta do município às necessidades de habitação estudantil.
Mas não terminou sem um desafio: “Deixava ao senhor bispo e à diocese o desafio de podermos escolher o nome desta residência de estudantes. Quero que o senhor bispo fique com essa preocupação, porque é importante termos um nome que valorize esta residência estudantil”.
Por sua vez, o bispo de Viseu, D. António Luciano, destacou a vocação educativa do Seminário Maior, sublinhando que o edifício continuará ao serviço da formação através da nova residência.
“Esta casa tem na sua matriz a educação e a formação e vai continuar precisamente com a residência do terceiro e quarto piso para alunos, ajudando de modo particular alguns com mais dificuldades”, afirmou.
O responsável diocesano considerou ainda que o acordo representa “um sinal de esperança e compromisso”, enquadrando a parceria entre Igreja e autarquia na resposta aos desafios da juventude e da habitação estudantil.








