
Mulher de 85 anos detida por protestar contra o regime de Putin
"Não escondam os seus crimes atrás da vitória do povo", estava inscrito numa faixa envergada por Lyudmila Vasilyeva perto do memorial, em São Petersburgo, dedicado aos cidadãos soviéticos enviados para os campos de trabalho forçado do Gulag russo.
Segundo o portal de notícias Bumaga, citado pela agência noticiosa espanhola Efe, Lyudmila Vasilyeva foi detida pela polícia e levada para uma esquadra, mas foi libertada pouco depois sem que nenhum processo fosse instaurado contra ela.
A idosa, que já foi detida diversas vezes nos últimos anos, tornando-se uma figura conhecida nos círculos da oposição, depositou flores brancas e uma vela no monumento em São Petersburgo.
Segundo o portal, a idosa recusou-se a responder às questões colocadas pela polícia, que exigiu que prestasse depoimento por escrito, invocando o Artigo 51 da Constituição russa, que consagra que "ninguém é obrigado a depor contra si próprio".
Vasilyeva foi também detida no início da guerra da Rússia contra a Ucrânia por protestar contra o que ficou conhecido como "operação militar especial" e multada em 10.000 rublos (cerca de 90 euros) por alegadamente desacreditar o exército russo.
Em 2024, Lyudmila Vasilyeva tentou candidatar-se ao cargo de governadora da antiga capital czarista (São Petersburgo), mas não conseguiu reunir as assinaturas suficientes.
A oposição e várias organizações de direitos humanos acusam o Presidente russo, Vladimir Putin, de se apropriar do Dia da Vitória para encobrir crimes cometidos pelas autoridades em suposta defesa dos interesses nacionais e para equipará-lo à campanha militar na Ucrânia.









