
Alunos da Escola Azeredo Perdigão em Viseu aprendem arte do barro por um dia
Entre as mãos dos alunos e o movimento constante da roda, o barro desafiava-se a ganhar forma e a transformar-se em peças únicas. O que começava como um bloco de argila acabava moldado, num processo que exige atenção, sensibilidade e técnica.
Foi esta experiência que cerca de 80 estudantes da Escola EB 2,3 Dr. Azeredo Perdigão, em Viseu, tiveram oportunidade de viver numa oficina de olaria.
A iniciativa, integrada no Plano Nacional das Artes, faz parte de um conjunto de oficinas mensais promovidas pela escola, que incluem atividades como cestaria, vídeo e fotografia, permitindo aos alunos contactar com diferentes formas de expressão artística.
A sessão, dirigida a alunos do 5.º ao 8.º ano, contou com a orientação do artesão e ceramista Sérgio Amaral, natural de Mangualde, que acompanhou os participantes ao longo das várias etapas do trabalho do barro.
“Antes de começarmos a fazer uma peça, temos de trabalhar o barro para retirar o ar e as bolhas, senão, quando vai ao forno, pode partir”, explicou ao Diário de Viseu, demonstrando o processo inicial de preparação da matéria-prima.
Segundo o artesão, o trabalho começa com o centramento do barro na roda, seguindo-se a abertura e a definição da base, antes de a peça ser puxada e ganhar altura e forma. “Não é tanto força, é mais jeito e sensibilidade”, sublinhou, enquanto orientava os alunos na construção das primeiras peças.
Sérgio Amaral destacou ainda que o processo não termina na roda. Após a modelação, as peças têm de secar durante vários dias antes de serem levadas ao forno, podendo depois ser vidradas ou manter-se em estado mais natural.
Já a professora Isabel Gil, que também integra o projeto, destacou o impacto da experiência junto dos alunos. “Eles têm várias opções para experimentar e perceber aquilo que gostam mais”, referiu, acrescentando que “quando estão ali a trabalhar, ficam concentradíssimos e quase que desligam do resto”. Segundo a docente, este tipo de iniciativas permite revelar aptidões inesperadas.
“Há alunos que nunca tinham experimentado e começam logo a construir peças com alguma qualidade”, afirmou.
Palavras que Graça Soveral, coordenadora intermunicipal do Plano Nacional das Artes, reforça, sublinhando a importância da ligação ao território.
“O objetivo é que os alunos, além do currículo, levem também o conhecimento cultural da sua região”, afirmou. A responsável destacou ainda a importância da experimentação. “Só há uma maneira de fazer isso: é experimentar, fazer. Não basta ver, é preciso ter contacto direto com as práticas”, disse.
E, por isso, o impacto junto dos alunos tem sido evidente. “É curioso ver como todos acabam por se envolver, mesmo aqueles que inicialmente mostram alguma resistência”, confessou. O próximo desafio já está definido e acontece no dia 5 de maio, com uma atividade dedicada à montagem de um concerto, que permitirá aos alunos conhecer as várias etapas e profissões envolvidas na produção de um espetáculo ao vivo.







