
Homem de 30 anos desafia a demência ao correr 32 maratonas
Jordan Adams correu a Maratona de Londres com um frigorífico de 25 quilos às costas, o primeiro passo do desafio de correr 32 maratonas em 32 dias na Irlanda, para sensibilizar para uma forma de demência.
Este homem de 30 anos e o seu irmão, Cian, são conhecidos como os irmãos FTD, acrónimo para demência frontotemporal, condição que irão quase certamente desenvolver.
"Esta missão continua, assim como a devastação que a demência está a causar na nossa família, passo a passo", contou Jordan Adams, à multidão que se deslocou para o apoiar na quarta-feira, no condado de Donegal, na Irlanda do Norte.
O seu desafio parece audacioso, pois está a correr 32 maratonas em 32 dias consecutivos por toda a ilha, com chegada prevista a Dublin em 28 de maio.
Jordan Adams está a ser auxiliado pelo seu irmão Cian, de 25 anos, que está a fazer a maior parte da corrida de bicicleta.
A dupla partiu na segunda-feira do condado de Antrim, na Irlanda do Norte, 24 horas depois da Maratona de Londres.
A sua mãe, Geraldine, foi diagnosticada com esta doença degenerativa rara em 2010, aos 47 anos.
Da noite para o dia, com apenas 9 e 15 anos de idade, os dois irmãos, juntamente com o pai e a irmã mais velha, tornaram-se cuidadores da mãe, que acabou por falecer aos 52 anos, em 2016.
Dois anos depois, Jordan descobriu que é portador da mutação do gene MAPT: a probabilidade de vir a desenvolver a mesma forma de demência de início precoce é de 99,9%. O mesmo acontece com Cian.
"É uma doença cruel que levou doze familiares irlandeses, incluindo a minha avó e a minha tia", referiu Jordan, que vive no centro de Inglaterra, à agência France-Presse (AFP).
"Queríamos vir à Irlanda, onde toda esta devastação começou, para os homenagear", acrescentou.
As imagens de Jordan Adams em lágrimas na meta da Maratona de Londres, com um frigorífico preso às costas, estão entre as mais marcantes da prova.
O frigorífico era um símbolo desse "fardo pesado", invisível para os outros.
"Faço-o para tornar a demência visível", explicou Jordan aos jornalistas.
Cruzou a meta com Cian, que permaneceu ao seu lado para o hidratar.
"Partilhamos o mesmo diagnóstico e o mesmo futuro. Sei que a nossa mãe viu-nos com muito orgulho" durante a prova, vincou ainda.
Os dois irmãos não são estranhos a desafios extremos, depois de já terem corrido pelo Reino Unido há dois anos, e Jordan já correu sete maratonas em sete dias.
O facto de Cian ser fisioterapeuta é uma grande vantagem. "Desenvolvemos um plano de treino nos últimos seis meses. Até agora, espero que continue, as pernas dele estão a aguentar bem", acrescentou.
Os irmãos estabeleceram o objetivo de angariar um milhão de libras para a investigação da doença de Alzheimer. Na quinta-feira de manhã, já tinham angariado mais de 700 mil libras (808 mil euros, à taxa de câmbio atual).
Metade deste valor será doado à Sociedade de Alzheimer da Irlanda (ASI), que apoia pessoas que vivem com a doença.
Cerca de 64 mil pessoas na Irlanda, um país com 5,3 milhões de habitantes, têm alguma forma de demência, explicou Carol Molloy, que trabalha para a ASI.
Este número deverá chegar aos 150 mil até 2050, sendo que uma em cada dez terá demência de início precoce.








