
Rangel considera que utilização das Lajes pelos EUA tem sido ínfima
"A utilização é ínfima, se pensarmos na escala da presença de forças dos EUA e todos os seus recursos na região [do Médio Oriente], estamos a falar de uma presença que não é muito relevante", referiu Rangel, no Programa Grande Entrevista da RTP, de Vítor Gonçalves.
O chefe da diplomacia portuguesa lembrou que a autorização portuguesa para a utilização da base nos Açores pelos norte-americanos está condicionada a que o material que passe pela base seja apenas utilizado como resposta a ataques, de forma proporcional e necessária e apenas contra alvos militares.
E realçou ainda que o acordo com os EUA sobre a Base das Lajes está consensualizada pelas grandes forças políticas portugueses.
"Recebemos do PS e do Chega o acordo da condicionalidade que foi posta. Nenhum disse que estava contra nestas condições", apontou.
Ainda sobre o uso da infraestrutura pelos EUA para o conflito com o Irão, Rangel considerou que o Governo tem "todas as condições para acreditar" que têm sido cumpridas as condicionantes colocadas a Washington.
Questionado sobre as críticas do Governo norte-americano liderado por Donald Trump aos aliados da NATO pela falta de ajuda na guerra com o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou essas posições injustas.
"Esta operação não foi comunicada aos aliados antes de ocorrer, não tiveram oportunidade de criar uma posição previa sobre esta matéria. Parece demasiado estar a pedir que tivessem uma posição totalmente alinhada", detalhou Paulo Rangel.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, apesar das divergências que possam existir entre membros da Aliança Atlântica, a "questão da fiabilidade dos objetivos e missão da NATO não está em causa".
Ainda sobre o conflito no Médio Oriente, Paulo Rangel adiantou que o Governo português tem realizado um "trabalho diplomático muito intenso", mostrando-se expectante relativamente à atual fase de cessar-fogo, por entender que as duas partes "perceberam que esta situação [de guerra] não traz vantagem".
"Portugal foi sempre muito claro, não apoia e não subscreve o conflito, [e] também o ataque que o desencadeou, e apoia esforços diplomáticos. (…) A nós interessa-nos essencialmente que se possa atingir um cessar-fogo duradouro que leve a criar condições para uma negociação pela paz que as duas partes possam aceitar", frisou.
Rangel considerou também que os atuais conflitos deixam o mundo num "momento desafiante", em que é colocado em causa o multilateralismo, o papel da ONU ou do direito internacional, garantindo que Portugal "não desiste" destes valores.








