Leis do Trabalho e Economia
Apesar de reconhecer que as leis do trabalho são há demasiado tempo reféns de um certo esquerdismo militante e uma das muitas questões que afectam o funcionamento das empresas, não consigo compreender que o governo escolha o tema para uma batalha que, nas presentes circunstâncias, dificilmente pode ganhar. Até porque a proposta inicial do governo deu desnecessariamente alguns trunfos aos opositores da lei.
Por outro lado, não acredito que sejam as leis do trabalho a principal dificuldade da economia portuguesa.
Em qualquer caso, creio que as empresas de alguma dimensão sabem resolver os seus problemas através de uma sólida relação com os seus trabalhadores.
Como dirigente de empresas durante mais de vinte anos e empresário mais trinta, nunca as leis do trabalho representaram qualquer obstáculo ao crescimento das empresas em que trabalhei e ao nosso principal objetivo de aumentar as exportações. Recordo que os trabalhadores eram eles próprios a querer algo parecido com o banco de horas, que lhes permitia organizar fins de semana prolongados.
Este imbróglio, como muitos outros que afectam a economia portuguesa, tem a sua origem no facto dos governos serem constituídos por burocratas, em grande parte oriundos das universidades, das juventudes partidárias e dos gabinetes de advogados, com pouca ou nenhuma experiência das empresas.
Apesar disso, o primeiro-ministro aparente uma grande segurança sobre o que pretende fazer durante a legislatura, mas, de facto, não faz a mais pequena ideia da meia dúzia de coisas que poderiam mudar para melhor o panorama da economia portuguesa.
Além de ser apoiado por um modelo político viciado, não democrático, que lhe permite controlar os deputados, os governantes e os dirigentes da administração, todos escolhidos por si e à sua imagem, com muitas ideias soltas e uma discutível competência para as organizar. É triste, mas tem sido assim ao longo dos últimos trinta anos.
Aproveito agora para dar alguns exemplos do que o primeiro ministro aparenta não saber: (a) como outros já o fizeram antes dele, elogia as PMEs, sem se de dar conta de na sua esmagadora maioria serem empresas comerciais de vão de escada e sem qualquer futuro económico, razão porque morrem e nascem aos milhares todos os anos (b) também não entende que a exclusão social que domina a nossa sociedade, uma autentica fábrica de fazer pobres, é o resultado da falta de creches e do pré-escolar de qualidade, instituições que não cumprem no Estado a sua missão de uniformização das competências das crianças entre ricos e pobres, com efeitos demolidores no futuro do mundo do trabalho e na vida de milhões de famílias; (c) também não mostra compreender que nenhum país da nossa dimensão pode sobreviver economicamente com apenas 50% de exportações, quando os outros países da nossa dimensão e com pequenos mercados internos, exportarem entre 70% e 105%; (d) igualmente, não lhe passa pela cabeça que a indústria cria empregos melhor remunerados, necessários para dar trabalho ao excesso de trabalhadores existentes nos serviços – cabeleireiros, restauração, lojas de roupa, minimercados, etc. - cuja produtividade é baixa porque transformam apenas mão de obra, para mais com poucas qualificações e onde não existe investimento em capital produtivo como acontece na indústria; (e) infelizmente, também não mostra saber que o turismo, como praticado entre nós, é um dos factores da baixa produtividade da economia nacional; (f) aparentemente, também não se dá conta de que a sua escolha da bitola ibérica na ferrovia portuguesa, estranhamente paga pelos portugueses em vez de pela União Europeia, representa uma bomba relógio sobre as nossas exportações para a Europa e em geral para toda a economia.
Em resumo, com estes governantes de aviário que estão no poder há trinta anos, o resultado não deixa dúvida, porque com as mesmas soluções não podemos esperar melhores resultados.
Notas: a propósito, os comentários feitos pelo Governador do Banco de Portugal, acerca das empresas de restauração que reclamam subsídios, mostram que ele sabe o que diz.






