Economia social no interior: proximidade, compromisso e sustentabilidade
São elas que, diariamente, garantem respostas essenciais nas áreas da deficiência, do envelhecimento, da infância, da saúde mental, do combate à pobreza e da inclusão social.
Este papel é particularmente visível nos territórios do interior, onde a dispersão geográfica, o envelhecimento da população e a menor oferta de serviços reforçam a importância de respostas de proximidade.
No distrito de Viseu, esta realidade é bem conhecida. Em muitos concelhos, as organizações da economia social são o principal e, por vezes, o único garante de respostas sociais estruturantes. Conhecem o território, as pessoas e as suas especificidades, assumindo um compromisso profundo e duradouro com as comunidades locais.
A insuficiência do financiamento estatal deixou de ser uma questão pontual para se afirmar como um problema estrutural transversal à economia social. Os acordos de cooperação mantêm‑se desajustados face aos custos reais das respostas sociais, não acompanhando a inflação nem o aumento significativo dos encargos com fornecimentos e serviços externos e com os recursos humanos.
Paralelamente, as exigências técnicas, organizacionais e regulamentares impostas às instituições têm vindo a aumentar, obrigando a níveis cada vez mais elevados de profissionalização, sem que exista uma correspondência adequada no apoio financeiro. Esta realidade coloca desafios sérios à sustentabilidade das respostas e à capacidade das instituições se manterem fiéis às suas missões.
Este quadro torna‑se ainda mais exigente num contexto internacional marcado por instabilidade e conflitos armados, cujos efeitos se refletem diretamente no agravamento dos custos da energia, dos bens essenciais e dos serviços.
Estas pressões são sentidas de forma imediata pelas organizações, que continuam, contudo, a operar com referenciais financeiros desatualizados, limitando a sua capacidade de planeamento, investimento e consolidação das respostas.
No interior do país, estas dificuldades assumem contornos acrescidos. Garantir respostas sociais fora dos grandes centros urbanos implica custos adicionais com deslocações, logística, transporte de utentes e, sobretudo, com a atração e retenção de profissionais qualificados.
Paralelamente, os modelos de financiamento continuam, na sua maioria, a ser aplicados de forma indiferenciada, ignorando as especificidades das pessoas apoiadas e as realidades territoriais profundamente desiguais.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tem alertado que políticas públicas uniformes, aplicadas a territórios distintos, tendem a aprofundar assimetrias e a comprometer a coesão territorial, defendendo abordagens ajustadas às especificidades locais.
Neste contexto, importa afirmar com clareza que a diferenciação positiva não constitui um privilégio, mas um instrumento de justiça territorial e social. Não existem direitos sociais efetivos sem respostas adequadas no território, nem sem organizações com condições para as assegurar de forma sustentável.
As organizações da economia social não pedem privilégios. Pedem reconhecimento efetivo do seu papel, estabilidade, previsibilidade e condições adequadas para continuar a garantir respostas de proximidade, com qualidade e dignidade. #TodasAsPessoasContam.






