Políticas Ambientais
Por exemplo, os produtores das energias eólica e solar enriqueceram através das mordomias criadas pelo Estado de escoamento garantido da produção a preços de amigo, num processo iniciado há trinta anos e que continua hoje.
No princípio eram os custos de entrada numa nova tecnologia e hoje trata-se de puro amiguismo. Escrevi e publiquei isso mesmo há trinta anos e fui ameaçado de processo judicial por um secretário de Estado, a que respondi agradecendo a oportunidade de debater o assunto em tribunal, razão suficiente para o dito secretário meter a viola no saco.
Não conheço suficientemente o tema da verdadeira ameaça ambiental, mas não tenho dúvida de que o assunto tem sido tratado de forma tão ignorante quanto hipócrita, porque em muitas áreas, como nos transportes, muito pouco ou nada tem sido feito para minimizar o problema.
Por exemplo, a falta de transportes públicos de qualidade e o domínio do Estado nas empresas de transporte, além da falta de investimento do Estado, por exemplo na ferrovia, são factores que contribuem para o uso generalizado do automóvel com a poluição resultante. A situação pode ter melhorada através do uso do carro eléctrico, mas a questão das baterias em fim de vida cria um problema adicional que não sabemos ainda como pode ser resolvido.
Sou, entretanto, um feroz defensor de os países e a União Europeia incentivaram a economia circular. Por exemplo: no sector automóvel todas as empresas produtoras deveriam ser forçadas a criar fábricas de recuperação de peças e dos materiais dos carros em fim de vida.
O incentivo poderia ser, pelo menos inicialmente, um fundo criado a partir de um valor adicionado ao preço do carro no momento da compra e da obrigação dessas empresas funcionarem em exclusivo na União Europeia, o que seria uma forma de contrariar o domínio das empresas chinesas financiadas pelo estado chinês no mercado europeu.
O mesmo pode ser feito noutros sectores, por exemplo, dos eletrodomésticos. Igualmente, o investimento na ferrovia de alta velocidade, nomeadamente para distâncias até cerca de 2000 quilómetros, tem a vantagem de substituir o uso do avião altamente poluente, como já acontece em Espanha e na China, com uma enorme redução no uso dos combustíveis fosseis.
Igualmente, a utilização do transporte de camiões em plataformas ferroviárias no transporte de mercadorias para longas distâncias, resultará em enormes vantagens ambientais, económicas e sociais.
Há anos apresentamos um estudo feito pela nossa empresa e pela então empresa “Bombardier”, com a colaboração do saudoso professor Veiga Simão, de um sistema inovador de entrada simultânea dos camiões nas plataformas ferroviárias, estudo que apresentámos ao governo de Durão Barroso com o resultado de três secretários de Estado nos dizerem que talvez a Espanha tivesse interesse no projecto. O professor Veiga Simão abandonou a sala indignado.
Ou seja, não faltam soluções para defender o ambiente. Há muitos anos criámos na nossa empresa de engenharia SETsa a ideia de um novo electrodoméstico destinado a moer o papel, a triturar o plástico e a comprimir o metal, lixos que sairiam das nossas casas já prontas para serem reutilizados.
Apresentámos a ideia a algumas empresas nossas clientes de moldes, recordo a Electrolux, que nos disseram que a ideia era excelente, mas que sem haver o aproveitamento económico desses lixos ninguém compraria o dito electrodoméstico, algo que só os governos poderiam organizar.
O que me elevou a apresentar no Instituto Pedro Nunes em Coimbra um texto com o título “Inovação de Estado”, a que ninguém ligou grande coisa por considerarem a ideia de um Estado inovador inexequível.
Em resumo, repito, não faltam ideias para a defesa do meio ambiente, todavia o que os governos têm feito é criar soluções que financiam as empresas de alguns amigos à custa dos contribuintes, como acontece, por exemplo, no caso das energias renováveis.






