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Furto de uma tonelada de tampinhas põe em risco as terapias da Mafaldinha

Num mês foram dois os assaltos ao campo de futebol onde a família guarda as tampinhas que depois vendem a uma empresa de resíduos. Agora a família precisa de um outro espaço seguro para poder continuar um trabalho que ajuda no pagamento das terapias necessárias ao crescimento e aprendizagem da pequena Mafalda

Mais de uma tonelada de tampinhas foram furtadas em Viseu mostrando que nem a solidariedade é respeitada. E é a segunda vez em menos de um mês que a família da Mafaldinha, como carinhosamente é conhecida, vê o resultado do seu esforço ser roubado.

Com 10 anos de idade, a Mafaldinha é uma menina que sofre de uma doença rara que a mantém numa cadeira de rodas e exige tratamentos específicos e um acompanhamento especial diário. Os pais, com a ajuda de alguns familiares, amigos e pessoas solidárias com a sua causa, há anos que recolhem tampinhas que vendem a uma empresa de resíduos com quem estabeleceram um protocolo de solidariedade para assim conseguirem mais algum dinheiro para que nada falte à filha.

E por isso, estes dois assaltos provocaram uma enorme raiva e uma revolta incontida porque, como reconhece a mãe Joana, ao Diário de Viseu, “é a Mafalda que está a ser prejudicada por um bando de malfeitores que planearam os assaltos sem se preocuparem com as consequências”.

Reconhecendo que o primeiro assalto, a 5 de março, não foi comunicado à PSP por acharem que tinha sido alguém que não sabia do que se tratava e que até poderia ser desvalorizado pela polícia, Joana adiantou que este segundo, cometido no dia de Páscoa, já foi planeado e pois exigiu o recurso a uma carrinha grande com empilhador para levantar os big-bags. E também houve estragos que a própria associação teve de assumir.

Por isso, a PSP foi chamada e na segunda-feira esteve a Brigada de Investigação que aconselhou a família a retirar o que ficou no campo de futebol, um espaço cedido pelo Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo de Paradinha, onde vivem.

“No primeiro assalto, a 5 de março, foram furtados cerca de 50 sacos de 100 litros cheios de tampinhas que guardamos num espaço do campo de futebol cedido pelo grupo desportivo. Nessa altura decidimos então passar a guardar as tampinhas diretamente nos big-bags e achámos que desta forma resolvíamos o problema”, conta Joana, confessando que levou um murro no estômago quando no domingo foram ao campo e se depararam com o portão arrombado e a falta de quatro big-bags que representa praticamente uma tonelada de tampinhas.

Agora, para além da falta que irá fazer o dinheiro para as terapias da Mafaldinha, coloca-se o problema de um espaço seguro para continuarem a guardar o material recolhido. E não é preciso ser muito grande, como reconhece Joana, apenas ter acesso para o camião da empresa que vai recolher. De preferência dentro de Viseu para facilitar a logística e compensar o trabalho.

Interrogando-se sobre o porquê de alguém roubar as tampinhas, Joana reconhece que os sucateiros também costumam comprar estes materiais mas pagam uma ninharia, o que a dividir por um grupo não justificará o esforço. “Mas para a minha filha representa uma grande perda. Nós não estamos a falar de dinheiro meu, mas sim de um valor da minha filha que representa muito mais, como terapias que ela precisa”, sublinhou.

Admitindo que a família não pode parar com esta tarefa porque ela é muito importante para a Mafaldinha, Joana adianta que tem uma “família estruturada, onde marido e mulher trabalham, com mais dois filhos que, felizmente, não precisa de pedir roupas, alimentos ou brinquedos”.

Mas precisam de mais para poderem pagar as terapias necessárias para uma criança que tem os problemas da Mafalda. “Ninguém faz ideia de quanto custam as sessões de hipoterapia, de fisioterapia, de terapia da fala, de terapia ocupacional, mais o ATL, o transporte, o apoio individualizado que precisa. E o que conseguimos com este trabalho é uma ajuda para isso”, sublinha, garantindo que não podem parar porque a “Mafalda tem 10 anos, já evoluiu imenso, mas ainda precisa de muito para continuar a desenvolver-se”.

Abril 7, 2026 . 16:15

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