O Congresso Socialista
Uma, herdeira de António Costa, pretende uma oposição sem tréguas ao PSD e ao governo, borrifando-se no que será melhor para o País, porque o objectivo é a manutenção dos empregos que ainda ocupa no aparelho do Estado e, se possível, conquistar outros.
Ou seja, é a grande família socialista no seu melhor. A outra estratégia que aparentemente saiu vencedora é aceitar alguma colaboração com o governo, mas nos próprios termos do PS. Como disse antes, ambas as estratégias estão erradas, porque não dizem nada de novo aos portugueses.
Uma estratégia mais correcta e mais corajosa seria fazer propostas transformadoras para o futuro do País e dirigidas directamente aos portugueses.
Por exemplo: (1) mostrar aos portugueses que para melhorar a sua vida temos de obter um franco crescimento económico na casa dos 3% a 5%, para o que é necessário atrair mais investimento industrial indutor de melhores salários e aumentar as exportações; (2) paralelamente, reduzir a quantidade de pequenas empresas comerciais que sobrevivem num sistema de concorrência destrutiva, empresas que não crescem, não exportam, têm baixa produtividade e pagam baixos salários; (3) demonstrar que o combate há pobreza é uma tarefa nacional, que passa por acabar com a marginalização das famílias pobres, começando pelos seus filhos, através de dar prioridade ao financiamento das creches e do pré-escolar de elevada qualidade, com bons educadores, boa alimentação e transporte, no sentido de dar a todas as crianças iguais oportunidades de desenvolvimento e de acesso a melhores qualificações; (4) demonstrar que os problemas existentes na saúde, na educação e na justiça são essencialmente de falta de organização, como resultado do excesso de chefias políticas, a favor do modelo de direcções gerais profissionais para a vida, que não mudem com os governos e que garantam a necessária memória da organização, sistema a ser apoiado pelas mais modernas tecnologias de informação; (5) democratização do regime político, através da reforma das leis eleitorais, que permitam a escolha dos deputados pelos eleitores e não pelas direcções partidárias como agora acontece, condição para uma maior participação dos cidadãos na actividade política; (6) renovação do Conselho Superior de Obras Públicas, com o recurso aos nosso melhores técnicos e cientistas e acabar com as decisões políticas ignorantes e abertas ao amiguismo e há corrupção, como está a acontecer nos investimentos ferroviários realizados sem base técnica e económica, além de em contramão com as decisões europeias e sem o necessário financiamento europeu.
Pergunta: porque será que nenhum destes temas é tratado, ou colocado na agenda política pelo PS? Será ignorância da realidade nacional e insuficiência de visão estratégica? Será uma excessiva preocupação com o debate político/partidário?
Será porque planear o futuro não dá empregos a curto prazo? Será porque não existe debate interno e estudo das questões no partido?
Não sei, provavelmente será um pouco de cada coisa, mas sei que o objectivo principal de qualquer partido político é prever e antecipar o futuro e que quando isso não é feito os governos e os povos empobrecem e atrasam-se. Há muitos anos, previ o desenvolvimento económico e social da Irlanda e aconselhei, sem sucesso, António Guterres a copiar o modelo.
A Irlanda é hoje o país da União Europeia com maior crescimento económico e a atingir os mais elevados níveis de rendimento per capita, um sonho para Portugal.
Ou seja, como dito recentemente pelo Presidente da República, o problema do país não é a Constituição da República, mas a má governação, digo eu.
Em resumo, é hoje notória a actual irrelevância do Partido Socialista, de onde só sairá com nova gente e, principalmente, com novas ideias, muito trabalho, muito estudo e alguma capacidade de previsão.






