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INEM vai comprar 1.600 tablets para geolocalizar ambulâncias

Na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o responsável sublinhou que espera que “não haja qualquer impedimento” ao procedimento

O INEM vai comprar 1.600 tablets para implementar geolocalização integrada nas ambulâncias, depois de o concurso terminado na passada sexta-feira ter recebido 14 propostas, revelou o presidente do instituto, Luís Mendes Cabral.

Na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o responsável sublinhou que espera que “não haja qualquer impedimento” ao procedimento.

“Vamos fazer uma aquisição de 1.600 tablets para distribuir por todos os meios”, afirmou, explicando que os dispositivos funcionarão como terminais de telecomunicações onde serão instaladas as novas aplicações operacionais.

De acordo com o dirigente, o concurso para o ‘software’ termina na próxima sexta-feira.

“Espero eu, correndo tudo da forma linear que se espera que ocorra, ao longo do final do mês de abril já teremos as primeiras viaturas com a geolocalização”, salientou.

O objetivo é que o novo sistema permita não apenas saber onde estão as ambulâncias, mas integrá-las num modelo de despacho mais eficiente, capaz de organizar meios e otimizar tempos de resposta.

O responsável lamentou que o INEM continua sem um sistema de geolocalização ativo e contínuo em todas as ambulâncias.

“Seria a pessoa mais habilitada a dizer claramente que não há. Não há um sistema de geolocalização em todas as ambulâncias no sistema de emergência médica”, observou.

Atualmente, segundo Luís Mendes Cabral, o instituto apenas consegue localizar uma viatura através da rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal).

Aos deputados, o presidente do INEM recordou que o registo das ambulâncias — saída, chegada ao local, transporte ou disponibilidade — depende sempre de uma ação manual dos operacionais.

“É uma decisão humana… Ou seja, implica uma interação do operacional em dizer: cheguei ao local ou cheguei ao hospital”, admitiu.

Em fevereiro, quando foi ouvido na CPI ao INEM, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) alertou para a necessidade de modernizar o sistema tecnológico do INEM, defendendo que todas as ambulâncias deveriam estar equipadas com tablets que permitam acesso imediato à informação clínica dos doentes, geolocalização dos meios e registo automático das operações.

Para António Nunes, a ausência de equipamentos uniformizados continua a comprometer a eficiência do socorro.

“A ambulância devia ter um iPad [tablet]. Com ele coloco o número do utente, tenho a história clínica, sei para onde o doente deve ir e tenho geolocalização da viatura. A informação fica registada e não desaparece”, defendeu, na ocasião.

O presidente do INEM disse ainda que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) transferiu este ano 10 milhões de euros para o instituto, verba que já foi encaminhada para os corpos de bombeiros que asseguram meios de emergência pré-hospitalar.

Apesar desta transferência, Luís Mendes Cabral alertou que o instituto continua a enfrentar problemas estruturais de financiamento.

“Continuamos com um défice crónico que tem de ser resolvido por via do que será a nova lei orgânica do INEM”, vincou.

Questionado sobre a renovação da frota do INEM, lamentou o tempo que o concurso para novas viaturas tem demorado – “decorre há quase três anos” -, disse que vai permitir reformular toda a frota e que uma das opções a tomadas, à semelhança do que acontece nos Açores, é usar viaturas ligeiras para substituir as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV).

“Assim também se aumenta a disponibilidade de ambulâncias SIV”, disse Luis Cabral, admitindo que já podia ter o concorrente com que se assinou o contrato a trabalhar para entregar as primeiras viaturas não fosse a obrigatoriedade de visto prévio do Tribunal de Contas.

Ainda sobre esta matéria, face ao tempo que os concursos demoram, disse que pretende lançar já este ano um novo concurso.

Sobre os tempos de resposta, reconheceu que acima das 5.500 chamadas/dia há ”constrangimentos a nível operacional”, explicando que, no Centro Operacional de Doentes Urgentes (CODU) Lisboa, não haverá espaço para sentar todos os 68 técnicos de emergência pré-hospitalar que estão em formação, se todos a concluírem.

“É preciso encontrar soluções de espaço. No atual [na sede, em Lisboa] não cabe mais ninguém sentado”, disse.

No passado mês de fevereiro, o presidente do INEM comunicou aos trabalhadores a intenção de transferir todos os serviços do instituto localizados em Lisboa para Oeiras, permitindo maior proximidade ao centro da PSP que opera o número de emergência 112.

Já no início de março, a Comissão de Trabalhadores do INEM deu parecer negativo à transferência das instalações de Lisboa para Oeiras, alertando que a mudança fragiliza serviços e prejudica trabalhadores, denunciando o que apelidou de falta de transparência do Conselho Diretivo.

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Abril 1, 2026 . 07:45

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