Sistema Nacional de Saúde
Infelizmente não vai ser fácil, porque há mais de uma década que sucessivos governos apenas acrescentaram problemas aos problemas já existentes.
A começar pelo primeiro governo de António Costa, que depois de ter perdido as eleições, conseguiu o acordo do PCP e do Bloco de Esquerda para formar governo e uma das cedências feitas foi a redução das horas de trabalho dos funcionários públicos, o que para um sector onde já havia falta de médicos não foi bonito.
Não contente com isso, António Costa resolveu terminar com as parcerias público/ privadas existentes em vários hospitais onde havia bons resultados, nomeadamente financeiros, mas também na satisfação dos utentes. O que acrescentou mais problemas ao SNS e, naturalmente, contribuiu para agravar as dificuldades, em particular de organização.
Devo recordar que as permanentes falhas do SNS, levaram muitos doentes, nomeadamente os de maiores rendimentos, mas não só, a procurar o sector privado, cujo crescimento e melhor organização passou a atrair mais médicos, naturalmente à custa do SNS. Ou seja, criou-se um círculo vicioso, em que a crescente insatisfação dos utentes favoreceu o sector privado, cujo crescimento contribuí, por sua vez, para a falta de médicos e para a ausência de resposta do sistema público.
Não contente com a crescente falta de profissionais e de organização, o desespero de António Costa e do PS, levou-os a apadrinhar o maior crime político e organizativo de que há memória, sob a forma de tarefeiros.
Ou seja, libertaram com isso o diabo do dinheiro e a crescente indisciplina de uma classe profissional que até aí sempre se regeu pelas regras deontológicas da profissão. Com os tarefeiros o diabo ficou à solta, com o Estado a pagar cada vez mais e a deixar crescer a indisciplina profissional e organizativa.
Além disso, a má organização do SNS e de toda a administração pública, tem crescido com a prática da nomeação partidária dos dirigentes, para mais sem a experiência profissional necessária para os cargos em causa. Com a agravante de que as constantes mudanças do pessoal político passar a ser uma parte relevante da falência de todo o sistema, que assim perdeu não apenas competências, mas também a memória das soluções passadas.
Estas são algumas das razões por que o governo da AD não sabe o que fazer e a razão por que vejo com preocupação a vontade do Presidente da República de se meter nesta alhada. Porque ou entra na via das panaceias de curto prazo, que apenas adiam as reais soluções, ou assume as verdadeiras repostas e os resultados levarão muito tempo a surgir e a satisfazer os utentes.
Para que conste, tenho para mim que as principais soluções são duas: (1) acabar rapidamente com o modelo dos tarefeiros, custe o que custar; (2) adoptar em toda a administração pública o velho modelo organizativo de Salazar, composto de dirigentes profissionais de carreira, então chamados “Directores Gerais,” além da rápida adopção dos mais modernos sistemas e equipamentos digitais, a serem dirigidos por especialistas, com o fim, entre outros, de melhorar a produtividade.
Ou seja, o SNS terá de aceitar concorrer com o sector privado e não continuar a perder terreno competitivo, através da inoperância organizativa. Aqui, penso já estar a ouvir o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS a afirmarem que a solução passa por pagar mais aos profissionais.
Talvez seja, desde que sejam verdadeiros profissionais e não tarefeiros, mas primeiro há que criar condições satisfatórias de trabalho e de organização em todo o sistema e formar mais médicos para melhorar a competição na classe.
Porventura, há também, a necessidade de distribuir mais tarefas a mais enfermeiros e com a nota de que na saúde os medicamentos levam tempo a fazer efeito.






