
Portugal auxilia Cabo Verde no seu primeiro transplante renal
“Conseguimos realizar o nosso primeiro transplante renal em Cabo Verde”, anunciou Evandro Monteiro, presidente do conselho de administração do HUAN, em conferência de imprensa.
O dirigente enalteceu a parceria entre diversas equipas dos dois países, nomeadamente do Hospital Santo António, do Porto, e pediu “uma salva de palmas” para Norton de Matos, cirurgião vascular português, dinamizador da parceria.
“Isto foi muito complicado, sobretudo porque era preciso chegar a legislação e muita coisa confusa”, mas o caminho “foi-se realizando”, ao longo de anos, referiu o cirurgião, assinalando que a conquista vai melhorar a qualidade de vida dos utentes de hemodiálise.
O arquipélago ganha mais autonomia, sem necessidade de separar famílias para tratamentos ou cirurgias em doentes com insuficiência renal crónica.
O beneficiário do primeiro transplante “está bem”, assim como a irmã, doadora, após uma intervenção que demorou três horas – desde a extração do rim da doadora, com técnica laparoscópica, sem grandes incisões, até terminar a cirurgia no recetor, explicaram os médicos.
A escolha do paciente recaiu sobre “quem tivesse doador disponível”, sendo selecionado entre 13 pares estudados, após realizados exames de compatibilidade, explicou Hélder Tavares, nefrologista do HUAN.
A parceria com o Hospital de Santo António inclui apoio à instalação de material cirúrgico em Cabo Verde e formação, com presença de cirurgiões especializados para se criar autonomia no arquipélago.
Portugal apoia também a realização de exames de compatibilidade, que exigem um laboratório especializado.
Nos últimos três anos, o centro de diálise instalado no Hospital Agostinho Neto, na Praia, o principal do país, tem acolhido regularmente 160 utentes em hemodiálise, cerca de 120 no centro a operar no Mindelo, sem listas de espera.








