
Bienal convida Viseu a descobrir “O que está para lá da fronteira?”
Dez dias dedicados a debater a imigração e todos os seus conceitos. Uma proposta que parte de uma simples questão: “O que está para lá da fronteira?” (What’s Beyond That Border?).
A primeira edição desta bienal, que decorre de 21 a 31 de maio, quer transformar Viseu num espaço de reflexão e, acima de tudo, de encontro e partilha entre culturas, tradições e linguagens artísticas.
A programação, que foi hoje apresentada na Junta de Freguesia de Viseu, organiza-se em quatro eixos, entre performances e espetáculos, intervenções e ações em espaços públicos, residências e laboratórios em contexto escolar, além de diálogos, colóquios e reflexões. Esta iniciativa nasce do trabalho desenvolvido no âmbito dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social, promovido pelas Obras Sociais de Viseu.
“Falamos da cultura, das tradições, mas acima de tudo falamos das pessoas. A cidade de Viseu está a crescer, é uma cidade cada vez mais jovem, mais diversificada, mais dinâmica e acho que devemos refletir no sentido de sensibilizar e promover o conhecimento do outro”, começou por dizer o coreógrafo e diretor artístico da bienal “What’s Beyond That Border”, Romulus Neagu, acrescentando que “o foco está nas pessoas que vão chegando a este território”.
Um dos objetivos desta primeira edição foi “tentar chegar aos jovens”, daí as residências e intervenções em espaços escolares. Integram esta lista o Agrupamento de Escolas Grão Vasco, o Agrupamento de Escolas Infante Dom Henrique, a Escola Secundária Viriato, a Escola Secundária Emídio Navarro e a Escola Profissional Mariana Seixas, num universo de cerca de 500 alunos.
“Vamos desenvolver várias atividades, desde workshops, ateliês performativos, residências com artistas convidados e espetáculos que vão ser apresentados no contexto escolar”, disse, destacando a importância de sensibilizar os mais novos, uma vez que “as nossas escolas que estão cada vez mais multiculturais”.
Entre conferências, diálogos e espaços de reflexão, “temos um núcleo de oito oradores, capazes de desenvolver várias conferências em vários espaços”, bem como ativistas, escritores e desportistas “que vão participar nestas conferências de reflexão sobre as fronteiras, a circulação das pessoas, a arte, o desporto e outras linguagens que nos podem ajudar a promover esse conhecimento de nós próprios em sociedade”, explicou.
A ideia é, adiantou o diretor artístico, “enriquecer a oferta cultural da cidade” “e ser um festival aberto à comunidade para ir de encontro a um grande número de pessoas”.
E, por isso, a bienal integra várias apresentações públicas, uma delas na Escadaria São Teotónio. “É um lugar central, mas ao mesmo tempo estão ligeiramente descentralizadas do eixo central e é interessante porque é um lugar de passagem, uma fronteira e dois patamares”.
E porque “a imigração não é um fenómeno, sempre esteve e está na nossa essência”, outra das prioridades é dar palco a não profissionais de várias nacionalidades, com foco na população jovem. “A geração nova tem uma outra forma de pensar, uma outra forma de ver o presente, mas especialmente de ver o futuro, e eu acho que a imigração tem muito a ver com a nossa forma de ver o futuro”, assinalou.
Na sessão, o presidente das Obras Sociais, José Carreira, frisou ainda que “queremos que todas as pessoas que escolhem a Europa, e neste caso Portugal e a nossa comunidade de Viseu, se sintam acolhidas e possam ser devidamente integradas”.
Foi ainda lançado o desafio a toda a comunidade para fazer parte do festival, através da partilha de fotografias, vídeos, registos sonoros, poemas, pinturas ou testemunhos que reflitam sobre a imigração. O objetivo é, de acordo com Romulus Neagu, criar um mural virtual e, se houver tempo, “fazer também um mural físico”.







