Última Hora
Inova26 Bannertopo Ate 3105
Pub

Câmara da Guarda diz que processo do Hotel Turismo não precisa de “tiros de pólvora seca”

Críticas foram feitas hoje, dia em que deveria ter sido publicado o anúncio do concurso público para a reabilitação e concessão da antiga unidade hoteleira

O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, disse hoje que o processo do Hotel Turismo deve ser “bem tratado” e não precisa que “se andem a pôr em bicos de pés” ou aos “tiros de pólvora seca”.

As críticas foram feitas durante a reunião quinzenal do executivo municipal, realizada hoje, dia em que deveria ter sido publicado – o que não se verificou – o anúncio do concurso público para a reabilitação e concessão daquela antiga unidade hoteleira, encerrada desde 2010.

A data tinha sido anunciada pelo secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, em 18 de março, durante a audição na Comissão da Economia e Coesão Territorial, no Parlamento.

No final da reunião, Sérgio Costa (Nós, Cidadãos!) revelou aos jornalistas que já sabia que a abertura do concurso público para o Hotel Turismo não seria publicada hoje.

“A publicação está para ser marcada porque, por uma questão técnica e legal, hoje não foi possível, portanto aguardamos ansiosamente que possamos dizer qual é a data para lançar o concurso”, adiantou.

O presidente da Câmara da Guarda especificou que o concurso se destina, além da requalificação, ao arrendamento, com opção de compra, do imóvel da autoria do arquiteto Vasco Regaleira.

“Já recebi vários empresários interessados no Hotel Turismo, portanto é preciso dar tempo ao tempo, por as coisas a mexer e não haver forças de bloqueio, como houve no passado, e outros interesses, quiçá”, afirmou.

Para Sérgio Costa, é tempo de colocar “o supremo interesse da salvaguarda do património da Guarda acima de todos os outros e abrir este Hotel Turismo, esta joia da coroa, este diamante por lapidar, e colocá-lo ao serviço de Portugal”.

O autarca lembrou que a unidade encerrou há quase 16 anos e atribuiu responsabilidades pelo impasse a todos “os ministros, secretários de Estado, presidentes de Câmara, vereadores e deputados da nação” desde então.

“Todos, sem exceção, têm culpas no cartório. Por isso, é um processo que deve ser bem tratado e ninguém deve pôr-se em bicos de pés. Eu não o fiz e já contribuí muito nestes quatro anos para tentar resolver a situação”.

Sérgio Costa considerou que é preciso “deixar que as coisas fluam de forma natural” e não voltar a “dar tiros de pólvora seca, que podem não dar em nada, como aconteceu no passado”.

António Monteirinho, vereador do PS, constatou que este foi “o segundo anúncio deste Governo” sobre o Hotel Turismo e acrescentou, com ironia, que “árvore que nasce torta tarde ou nunca se endireita”.

“Espero estar enganado e que abra o concurso, que haja um vencedor, que as obras possam iniciar-se e que o hotel seja devolvido aos guardenses e à cidade”, declarou.

Já Helena Saraiva, vereadora da coligação PSD/CDS/IL, que substituiu João Prata, apresentou um voto de congratulação por “uma solução que foi anunciada nos meios de comunicação social e que irá ser implementada” no Hotel Turismo da Guarda.

“Houve imensas iniciativas a partir de 2010, pelos diversos governos. Quem esteve mais tempo no poder apresentou mais hipóteses de solução, mas até hoje nunca surgiu a tal solução a contento do interesse da Guarda. Vamos ver se é desta”, realçou.

A vereadora espera que “tudo esteja resolvido a curto prazo” porque a Guarda tem défice de camas.

Inaugurado em 1947, o Hotel fechou portas em outubro de 2010. Em abril do ano seguinte a Câmara vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação.

Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo.

Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal no ano seguinte.

Em dezembro de 2025 foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero.

Março 23, 2026 . 22:30

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right