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António José Seguro

Março 16, 2026 . 21:45
António José Seguro tomou posse como Presidente da República depois de uma grande vitória eleitoral, com o mérito de se ter candidatado de forma independente e depois de dez anos de um saudável recolhimento e sem o apoio do partido.

Ou seja, a sua vitória foi pessoal, o que lhe permite uma presidência livre de quaisquer constrangimentos partidários ou mesmo ideológicos.

O seu discurso de posse na Assembleia da República foi isso mesmo, as ideias expressas e as preocupações que revelou foram de alguma forma a expressão do seu programa para os próximos cinco anos.

Resta agora saber o que se segue, como vai ser a sua relação com o governo, com os partidos representados no Parlamento e com os portugueses em geral.

Foi com os portugueses que escolheu iniciar os primeiros dias do seu mandato, com os jovens e em visitas ao interior do país, o que não pode deixar de ter um certo simbolismo para o futuro. Agora segue-se o escrutínio dos colaboradores escolhidos e, principalmente, as suas escolhas pessoais para o Conselho de Estado, já que, quanto aos restantes, não poderá fugir às opções dos partidos.

António José Seguro terá de se haver com um quarto de século de continuada degradação da qualidade dos partidos políticos, com o resultado da crescente perda de qualidade das pessoas escolhidas para os governos e para a administração pública, como resultado do vicio democrático que impede os eleitores de escolheram os seus próprios representantes, a começar pelos deputados. Como é previsível, as ideias que possa ter e as propostas que possa fazer esbarrarão, com toda a probabilidade, no vazio das escaramuças partidárias.

Só há uma forma de superar este défice de pensamento estruturado dos partidos políticos portugueses, que é falar directamente e de forma organizada para os portugueses. Quando digo de forma organizada, pretendo dizer através de uma definição estratégia sobre o futuro do País, com três ou quatro objectivos centrais, a fim de evitar a dispersão da mensagem. Em que a qualidade da comunicação e a concentração das ideias é um dado essencial, de alguma forma evitando a experiência do anterior habitante de Belém que falou de tudo.

É comum dizer-se que de acordo com a Constituição o Presidente da República não governa, mas nada mais falso. No mundo moderno a qualidade da comunicação e a concentração das ideias do que se comunica, nomeadamente para alguém que tem esse poder e essa oportunidade, representa um capital que se bem aproveitado tem um valor enorme.

Para isso é essencial que o novo Presidente da República se mantenha distante de quaisquer agravos, seja com o governo, seja com os partidos, seja com a comunicação social. Defender ideias e apresentar propostas qualificadas e com sabedoria, não muitas e não todos os dias, pode elevar a qualidade do debate público. Ou seja, o Presidente da República, por imposição da função presidencial, é desejável que viva acima de quaisquer ataques que certamente existirão.

Portugal precisa de uma estratégia e de um sentido de direcção coerente com as muitas oportunidades que já existem e com as que é necessário criar. Como tenho escrito, a nossa posição geográfica no centro do Ocidente, se potenciada com uma logística moderna e com um modelo educativo e democrático que não deixe ninguém para trás, poderá ser a Irlanda do futuro. Além de seguir o modelo económico que usámos com sucesso aquando da adesão à EFTA e no período do PEDIP/AutoEuropa.

Março 16, 2026 . 21:45

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