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Ventura acusa Governo de usar reforma laboral como “manobra de distração”

Líder do Chega apelou ao Governo para que tome “decisões rápidas” para conter os efeitos do conflito do Médio Oriente na economia

O presidente do Chega, André Ventura, acusou hoje o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.

“Eu acho que o primeiro-ministro quer desviar as atenções daquilo que se passa neste momento, do que o Governo devia estar a fazer e que está a usar a reforma laboral como mera distração”, afirmou.

Em declarações aos jornalistas durante uma visita à Futurália, feira de educação e formação, André Ventura foi questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que fez uma comparação entre o Chega e a CGTP e concluiu que “os extremos tocam-se”.

O líder do Chega apelou ao Governo para que tome “decisões rápidas” para conter os efeitos do conflito do Médio Oriente na economia e acusou o executivo de não ter coragem para tomar essas medidas e, por isso, tentar “desviar as atenções com a reforma laboral”.

Ventura alertou para “um aumento real do custo de vida” e pediu ao Governo que não use a reforma laboral “como manobra de distração”.

 “Eu vou dar o mesmo conselho ao primeiro-ministro que Pedro Passos Coelho deu na semana passada, quando o desafiou a candidatar-se também para desviar as atenções. O Governo tem uma missão, governar. O Governo tem uma missão, não se distrair e governar bem. E quando estamos em crise, o Governo tem que ter medidas para aliviar o custo de vida que as pessoas estão a sentir e não arranjar formas de distração”, afirmou.

Ventura afirmou também que o Governo não acedeu ao desafio do Chega para negociar as alterações à lei do trabalho e acusou o Governo de não querer “reforma nenhuma”.

“O Governo não quer resolver nada, o Governo quer é vitimizar-se e dizer que não o deixam governar”, criticou.

O líder do Chega considerou também que as palavras do primeiro-ministro mostram “algum desrespeito”.

“O Governo não quer negociar nem comigo nem com o Chega, o Governo quer denegrir-me a mim e denegrir ao Chega, porque não quer fazer reforma nenhuma à espera do dia em que vai novamente ao Palácio de Belém dizer que não tem condições, não o deixam governar, fazer aquela vitimização habitual. Mas eu acho que não estamos em tempo nem de vitimização, nem de criar crises artificiais, estamos em tempo de governar e governar bem”, defendeu.

André Ventura voltou a defender que o Governo deve procurar um consenso em torno das alterações laborais junto dos partidos da oposição e rejeitou estar a desconsiderar a concertação social, justificando que “o pacote é aprovado no parlamento”.

Na ocasião, o líder do Chega foi questionado também sobre a renúncia ao mandato da vereadora do partido na Câmara de Ourém, a oitava saída desde as eleições autárquicas de 12 de outubro.

André Ventura desvalorizou, referindo que “os outros partidos também já perderam muitos vereadores, muitos deputados municipais” e disse que o assunto será analisado internamente no próximo Conselho Nacional, que ainda não tem data marcada.

Ventura visitou hoje a Futurália, feira de educação e formação, em Lisboa, acompanhado de dirigentes e deputados do partido, incluindo a líder da Juventude Chega, Rita Matias.

Nesta visita foi abordado por muitos jovens, que lhe pediram fotografias. Dois deles aproveitaram para questionar Ventura, que defendeu a teoria da substituição populacional, considerando que pode ser intencional, mas sem concretizar.

O líder do Chega defendeu também que em Portugal devem prevalecer os “valores cristãos" e que o país "não se deve submeter” a “vagas de islamização”.

Março 11, 2026 . 20:45

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