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“Este belíssimo queijo Serra da Estrela só existe graças à dedicação das nossas gentes”

A aldeia de Mosteiro, na freguesia de Penaverde, recebeu hoje a 12.ª edição da Festa do Pastor e do Queijo, uma iniciativa que juntou queijeiras, produtores de gado, artesãos e comerciantes do território, com o objetivo de valorizar e dar a conhecer o que de melhor se produz na região

Agostinha Esteves Morgado, Luísa da Conceição, Maria da Conceição Vaz, Maria de Lurdes Santos, Rosa Maria, Zulmira do Nascimento e a ‘dona’ Virgínia, da queijaria artesanal José Miguel de Jesus Tenreiro.

Estes são os nomes das mulheres que ainda dão rosto, mãos e alma a uma tradição que resiste no território de Aguiar da Beira. São elas que acompanham o leite acabado de ordenhar e são (também) elas que moldam o queijo com a mesma paciência com que aprenderam o ofício das mães e das avós, guardando um saber que o tempo não apagou.

Na aldeia de Mosteiro, em Penaverde, esta arte ganhou ontem palco na Festa do Pastor e do Queijo, uma celebração que homenageia não apenas o produto final, mas todo o ciclo que o torna possível, do pastor ao rebanho, da ovelha ao leite, do leite ao afamado Queijo Serra da Estrela.

Festa Do Pastor E Do Queijo Aguiar Da Beira 2
Município de Aguiar da Beira homenageou queijeiras com entrega de lembranças

A sessão de abertura do certame foi presidida pela secretária de Estado da Habitação, Patrícia Costa, contando com a presença do vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, Marco Almeida, além do presidente da Câmara de Aguiar da Beira, Virgílio Cunha, autarcas e comunidade em geral.

“Hoje é dia de celebrarmos o produto que, na verdade, é bem representado no concelho pela freguesia de Penaverde, que é o queijo Serra da Estrela”, começou por afirmar o presidente do município, acrescentando que “o queijo é um ícone do nosso concelho e um dos produtos endógenos de maior referência da nossa terra”, sendo apenas possível “graças a todas as pessoas que integram a cadeia do sector, desde a criação e maneio do gado, ao seu tratamento e à recolha do leite, até à manufatura deste belíssimo produto, que tanto nos orgulha”.

Considerando a singularidade do queijo de Penaverde, Virgílio Cunha destacou que “o queijo de Penaverde não é melhor nem pior do que o queijo de Penalva do Castelo, de Celorico da Beira ou de qualquer outro território, porque todos são bons e cada um é diferente”, sendo “nesta diversidade que os territórios têm valor”.

O presidente da Câmara de Aguiar da Beira aproveitou ainda para prestar um reconhecimento às queijeiras locais, destacando a sua “resiliência porque os animais têm de ser tratados todos os dias”, sendo “esta resiliência parte da identidade destas mulheres”.

“Depois, temos a capacidade de trabalho, não desanimam, não desistem e adaptam-se às condições do clima. São, para nós, motivo de orgulho e um exemplo de vida, de trabalho”, frisou o autarca.

Virgílio Cunha revelou ainda números concretos sobre a produção local: “Temos, sensivelmente, sete mil ovinos e caprinos e 1.500 bovinos em 286 explorações, que vão de dez ou quinze animais até 150 animais”. Além do leite, lembrou, “temos a outra valência, que é a carne”, outro setor que estimula a economia local e regional.

O autarca garantiu que a Câmara de Aguiar da Beira continua “na vanguarda da atividade das nossas queijeiras e produtores”, acompanhando-os de perto. “Desde logo, com o nosso Gabinete de Apoio ao Agricultor, que só no ano passado realizou 540 atendimentos a quem está ligado ao setor primário, seja para pedidos de gasóleo, pedidos únicos, apoio a investimentos ou apresentação de candidaturas”, adiantou.

Na sua intervenção, Virgílio Cunha destacou ainda os protocolos da autarquia com associações de criadores de gado, num investimento de cerca de 80 mil euros para garantir a sanidade animal em todo o efetivo pecuário. “É uma forma de aumentar o rendimento das famílias.

Queremos promover a coesão territorial, queremos alavancar a economia local, não queremos deixar ninguém para trás, valorizamos o território e valorizamos as nossas gentes”, concluiu.

Já a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Costa, reconheceu a importância da valorização destas profissões. “É um reconhecimento e um elogio ao que é esta profissão da queijeira, do pastor, mas também acredito que são uma força e são um exemplo para aquilo que temos de fazer em todo o país”, disse, frisando que “temos de aplicar esta resiliência e esta coragem para todos os desafios que temos pela frente”.

E, em plena Festa do Pastor e do Queijo, a governante sublinhou o sentido da ‘Habitação’ estar presente até porque “nada desta economia local pode florescer se não houver compromisso habitacional de dignidade nas casas que já existem e de capacidade para construir casas novas com também dignidade habitacional para conseguir atrair famílias”, frisou.

Março 1, 2026 . 18:30

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