
Transumância é património vivo na Região
Castro Daire, Gouveia, Seia e Fundão estão unidos pela defesa da transumância na Serra da Estrela e o primeiro passo já foi dado ainda em 2025 com a inscrição da rede no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Mas o desejo é maior.
«Queremos que a Rede da Transumância Serra da Estrela seja considerada património material e imaterial da Unesco», afirmou António Miraldes, secretário-executivo da Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela. Contudo, acredita que esta é apenas «a parte de um todo, de um trabalho desenvolvido pelos quatro concelhos ao longo dos anos» em prol da valorização deste património vivo.
Considerado o Ano Internacional das Pastagens e Pastores, pelas Nações Unidas, este ano a transumância na Serra da Estrela ganha uma relevância importante, nomeadamente, dentro destes quatro concelhos, na valorização desta atividade.
«Há muito trabalho que podemos fazer nos quatro municípios na salvaguarda e na valorização da transumância», defendeu o secretário-executivo. «Nestes municípios, a transumância é uma realidade, é praticada pelos pastores e é parte da economia local, da valorização do território, da preservação da natureza e de costumes ancestrais », explicou o responsável.
No verão, os pastores sobem para pastagens de altitude da serra e no inverno acabam por descer para o sopé da montanha como fuga do frio rigoroso.
Como forma de documentar e registar esta prática ancestral, o realizador Telmo Martins caminhou ao lado de pastores e dos seus rebanhos numa dessas subidas em busca de alimento para os seus animais numa verdadeira luta pela sobrevivência. Porém, «não é apenas uma necessidade de sobrevivência, é um caminho de reflexão profunda e de contacto com a natureza e com o animal», disse o realizador, durante a apresentação no stand do Turismo Centro de Portugal, no terceiro dia da BTL.
Esta realidade do mundo rural, desconhecida por muitos, está agora espelhada no documentário “Transumância”.








