Perigos no horizonte
Ora conhecendo o passado político de António José Seguro e as suas preocupações, tanto sociais como de abertura há cooperação institucional, como no passado quando procurou entendimentos com o governo de Passos Coelho, não duvido que esse seja o seu programa para a acção. Resta saber qual a disponibilidade do governo e do primeiro-ministro.
Mas não só, resta também saber qual a disponibilidade do Partido Socialista e do seu líder, sabendo-se que existe no PS uma forte corrente de apoiantes de António Costa que nunca morreu de amores por António José Seguro e que sabemos por experiência da geringonça, sempre diabolizou quaisquer formas de cooperação com o PSD e sempre procurou alternativas de apoio na extrema-esquerda, do PCP e do Bloco de Esquerda. Por outro lado, o novo líder do PS tem mostrado uma forte tentação critica relativamente ao primeiro-ministro e uma certa pressa em forçar a alternativa do PS, conduzindo Luís Montenegro a procurar o apoio do Chega.
Por outro lado, o PS e o seu líder podem ser tentados a evocar o passado socialista de António José Seguro para políticas que favoreçam o PS com prejuízo da imagem de equilíbrio e de independência de Belém. Espero sinceramente que isso não aconteça e que o PS e o seu líder resistam há tentação de tentar partidarizar as decisões do Presidente da República, o que apenas pode conduzir a uma maior degradação da governação e a uma maior oportunidade de André Ventura chegar a primeiro-ministro.
Temos ainda o perigo da previsível guerrilha da extrema-esquerda, em particular através da CGTP e dos sindicatos em geral. Recordo as exigências recentes da UGT que incluem a redução das horas de trabalho. Exigência absurda num país que precisa como de pão para a boca de melhorar a produtividade, de elevar o nível salarial e de combater a pobreza crescente, nomeadamente a parte da pobreza que resulta da imigração e de políticas que aumentam o factor trabalho na economia, sem o necessário investimento em capital produtivo e em tecnologia.
A existência de um excesso de pequenas empresas comerciais, com níveis excessivos de concorrência, com a sua carga de baixa produtividade, baixos salários e exportações reduzidas, tudo factores que minam a economia e contribuem para o empobrecimento do País.
Dito de outra forma, a provável pressa do PS em provocar novas eleições que ninguém mais deseja, em conjunto com as previsíveis dificuldades do governo em resolver alguns dos desafios que o País enfrenta, será um cenário altamente indesejável no panorama político anunciado pelo novo Presidente durante a campanha, cenário que apenas poderá contribuir para que André Ventura, repito, possa chegar mais rapidamente a primeiro-ministro.
Em resumo, esperemos que a enorme confiança dada pelos portugueses ao novo Presidente numa votação histórica, possa contribuir para alguma paz política e para a concentração do governo e das oposições em resolver os graves desafios que o País enfrenta.





