APCV reforça compromisso com a inclusão no Observatório Ibérico de Residências
Esta participação integrou-se num espaço de diálogo que evidenciou a urgência de construir respostas centradas nos direitos, na inclusão e na igualdade de oportunidades para pessoas com paralisia cerebral e necessidades significativas de apoio. As intervenções nas mesas temáticas sublinharam a necessidade de priorizar modelos baseados nos direitos humanos, lembrando desafios como o envelhecimento das pessoas com deficiência, a importância da participação ativa e o financiamento adequado para garantir cuidados de qualidade.
Estes temas alinham-se com a experiência da APCV, que enfrenta desafios semelhantes ao nível da sustentabilidade, da captação de profissionais e da afirmação de modelos mais comunitários.
No painel dos presidentes, onde a APCV esteve representada, destacaram‑se preocupações comuns, tais como, dificuldade em atrair e reter profissionais qualificados, necessidade de renovação geracional nas direções, custos elevados dos serviços e importância de uma estratégia conjunta na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. São desafios igualmente vividos pela nossa Instituição, que tem procurado respostas sustentáveis e resilientes. A metodologia do encontro assentou em diversos painéis temáticos.
No painel de Políticas Sociais, reforçou‑se que as residências mais pequenas e comunitárias são o modelo desejável para o futuro, embora condicionadas pela falta de financiamento, escassez de profissionais e rácios insuficientes para pessoas com maior dependência.
Este diagnóstico coincide com a realidade portuguesa e demonstra a necessidade de uma estratégia integrada alinhada com a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
No painel de Saúde e Envelhecimento foram apresentados dados que evidenciam o aumento da esperança de vida e a falta de respostas especializadas. A solidão indesejada, o envelhecimento simultâneo das famílias e o impacto das condições económicas na autonomia foram aspetos especialmente realçados.
Para a APCV, este é um foco prioritário, dada a urgência de preparar respostas futuras e equipas adequadas a esta nova realidade. No painel dedicado aos direitos ficou evidente que os avanços legislativos exigem maior sensibilidade dos tribunais e profissionais, garantindo participação efetiva e mínima intervenção de terceiros, defendendo a autonomia e a inclusão como direitos fundamentais, especialmente relevantes para pessoas com necessidades de apoio significativas.
Por fim, o painel sobre produtos de assistência e autonomia funcional realçou o papel central da tecnologia e dos produtos de apoio, essenciais para garantir acessibilidade, participação, inclusão e autonomia.
Estas áreas representam oportunidades de inovação para a APCV. A conferência mostrou que Portugal e Espanha enfrentam desafios semelhantes e que o Observatório constitui um espaço determinante para desenvolver respostas partilhadas e políticas que coloquem as pessoas e os seus projetos de vida no centro, sem deixar ninguém para trás.
A presença da APCV neste observatório reforça o compromisso com a defesa dos direitos, a qualidade dos serviços e a construção de novos modelos de apoio. A mensagem final é clara: o apoio necessário não é uma questão de ajuda, mas sim uma questão de direitos.
#TodasAsPessoasContam.






