
Festival “No Fio da Palavra” renova-se na maior edição de sempre em Viseu
O festival No Fio da Palavra está de regresso a Viseu para a sua quinta edição, que decorre nos segundos e terceiros fins de semana de fevereiro, assumindo-se este ano como a mais ambiciosa de sempre. Organizado pela companhia de teatro Mochos no Telhado, o projeto conta com o apoio do Município de Viseu, através do Eixo Cultura, e, pela primeira vez, com financiamento da Direção-Geral das Artes.
Criado inicialmente como um festival centrado na tradição oral e na narração de histórias, o No Fio da Palavra “vai se reinventar este ano” e alargar o seu campo de ação a outros territórios da criação artística, explicou Dennis Xavier, diretor da companhia Mochos no Telhado, durante a apresentação da programação.
A nova edição passa a integrar áreas como “a poesia, a palavra sonora, a palavra dita por outras vias que não a da narração”, sublinhou o responsável, acrescentando que o festival mantém a ambição de crescer.
Mais financiamento permite um programa maior
A programação deste ano estende-se por dois fins de semana, algo inédito na história do festival, resultado direto do reforço financeiro agora alcançado. “Este apoio da Direção-Geral das Artes, de cerca de 15 mil euros, possibilita-nos ir mais longe e trazer outro tipo de profissionais e de artistas”, referiu Dennis Xavier, destacando que se trata da primeira candidatura apresentada pela estrutura.
Além deste festival de inverno, também o sub-projeto “Deixa-me Contar Antes que Esqueça”, desenvolvido durante o verão e centrado na escuta do território, mereceu importância. Este trabalho promove a recolha de histórias e testemunhos junto das comunidades das freguesias do concelho de Viseu, “valorizando tanto a palavra de autor como a tradição oral enquanto territórios vivos de memória e de futuro”, explicou o diretor da companhia.
O Município de Viseu apoia o projeto com cerca de 28 mil euros, verba que inclui tanto a criação como a programação artística, abrangendo igualmente o sub-projeto de recolha.
“Apesar de ainda ser um projeto pequeno, tem muitas ambições para o futuro”, refere Dennis Xavier

Presente na apresentação da programação esteve também o assessor do presidente da autarquia para a área da Cultura, Guilherme Gomes, destacou que a existência de um festival da palavra em Viseu é hoje particularmente relevante. “Mostra que a palavra não faz parte apenas dos livros, da poesia ou da música, mas também da vida de todos os dias”, afirmou.
O responsável salientou ainda a importância do investimento municipal ser reforçado por financiamento municipal, destacando também a presença de nomes relevantes da criação artística no programa. “É muito bom vermos estes artistas em Viseu no contexto deste festival”, concluiu.
“A maior programação de sempre”
A programação arranca com o espetáculo “O que a chama iluminou”, que junta Afonso Cruz e Mariana Ramos Correia, e que será apresentado na Igreja Paroquial de São José. No dia seguinte, o festival muda-se para a Biblioteca Municipal de Viseu, onde o contador espanhol Quico Cadaval sobe ao palco com o espetáculo de contos “Vacas, Guerras, Porcos e Clérigos”.
Já o segundo fim de semana traz novos encontros à volta da palavra, com destaque para “Vira o Disco e Conta Outro”, um espetáculo de Cristina Taquelim e Paula Carballeira. A música e a palavra dita ganham também espaço no Teatro Viriato, com um concerto do rapper, poeta sónico e visual Xullaji.
O encerramento do festival acontece no Museu Nacional Grão Vasco, que acolhe o espetáculo “Os Lusíadas como nunca os ouviu”, com a leitura performativa feita por António Fonseca.
Além dos espetáculos, o festival aposta igualmente na dimensão formativa e de reflexão, com masterclasses e conversas, bem como oficinas orientadas por Sandro William Junqueira e Joana Gomes Martins, entre outros. Os interessados podem aceder ao website do projeto (nofiodapalavra.pt) para saber todas as informações sobre a programação e efetuarem as suas reservas.







