Sinto-me triste e envergonhado em Portugal!
Triste porque vejo a política a afastar-se cada vez mais do que deveria ser: um espaço de serviço à causa pública. Envergonhado porque assisto, quase com normalidade, à transformação do debate democrático num exercício de insinuação fácil, de suspeição permanente e de julgamento sem provas.
Nos últimos tempos Luís Marques Mendes tem sido alvo de ataques que nada têm a ver com ideias, com visão do País ou com o papel de Presidente da República. São ataques que procuram desenterrar episódios, contactos profissionais, participações em negócio ou funções desempenhadas ao longo de uma vida pública e privada que sempre foi conhecida, escrutinada e transparente.
E é aqui que a minha indignação começa.
Trazer hoje para a praça pública factos que no seu tempo próprio foram conhecidos, divulgados, analisados e que nunca originaram qualquer acusação, condenação ou decisão judicial, não me parece ser jornalismo sério. Não é escrutínio responsável. É, no mínimo, desonestidade intelectual. Pior, é um ataque à própria democracia.
Vivemos num País onde parece bastar dizer que alguém “ganhou muito dinheiro”, “participou neste ou naquele negócio” ou “ representou esta ou aquela empresa” para se lançar a suspeita. Mas desde quando isso é notícia?
A notícia não pode ser alguém ter ganho dinheiro de forma legítima. A notícia seria esse ganho ser ilegítimo. E prová-lo. A notícia seria não ter sido declarado esse ganho. E prová-lo. A notícia seria ter dado origem à investigação, acusação ou condenação. Nada disso aconteceu.
Confundir atividade profissional legal com comportamento censurável é colocar todos no mesmo saco e empurrar o País para a lama moral. E quando figuras públicas incluindo candidatos presidenciais …. optam por este tipo de ataque indireto, estão a contribuir para um ambiente onde ninguém sério quererá, no futuro, assumir responsabilidades públicas.
O que já acontece, como se sabe.

Porque sejamos claros. Quem quer ser candidato num País onde qualquer cidadão, pelo simples facto de se disponibilizar ao serviço público, passa a ser tratado como suspeito à partida?
E se continuarmos nesse caminho, o resultado será inevitável: o País ficará entregue não aos mais preparados, não aos mais sérios, não aos mais competentes, mas aos que mais berram, aos que mais acusam, aos que mais falam em corrupção sem nunca terem feito nada de concreto para a combater.
Isso sim, deve preocupar-nos a todos.
É precisamente por rejeitar este clima que apoio Luís Marques Mendes. Apoio-o porque tem um percurso político e profissional longo, conhecido e escrutinado.
Apoio-o porque nunca precisou de atacar ninguém para afirmar o seu valor.
Apoio-o porque representa o contrário desta política de suspeição permanente: representa seriedade, moderação, sentido de estado, experiência e respeito pelas instituições.
Apoio-o também como cidadão que, aos 70 anos, e pela primeira vez na vida, sentiu que não podia ficar calado. Porque há momentos em que o silêncio já não é neutralidade, é cumplicidade.
Portugal precisa de um Presidente da República que una, eleve o debate, que seja árbitro e não incendiário.
Se aceitarmos que tudo é suspeito só porque alguém teve uma vida ativa, profissional e pública, estamos a destruir o próprio conceito de serviço público.
E isso, confesso, deixa-me envergonhado.
E deixa-me profundamente triste.





