
Academia de Dança de Viseu celebra 30 anos com vitórias internacionais
A Academia de Dança de Viseu – Escola de Bailado Giselle Brites chega aos 30 anos com o mesmo rigor artístico que a caracteriza desde 1995… e com motivos redobrados para celebrar. No início deste mês de dezembro, a escola conquistou dois segundos lugares na competição All Dance World, em Orlando, EUA, graças às jovens bailarinas Maria Fonseca e Diana Lopes, que brilharam na categoria de hip-hop. Uma vitória que, segundo a diretora e fundadora, Giselle Brites, “representa uma felicidade enorme”, até porque, como sublinha, “não estava à espera, já que é uma competição disputada por dezenas e dezenas de atletas de todo o mundo”.
A história desta escola, reconhecida internacionalmente pela Royal Academy of Dance of London e pela International Dance Teachers Association, começa muito antes das medalhas. Começa com a própria Giselle, sul-africana de origem. “Eu não sou portuguesa. Os meus estudos são de África do Sul e de Inglaterra”, recorda. Talvez por isso, desde cedo apostou numa ligação estreita com companhias britânicas e num ensino rigoroso, que hoje considera ser a marca da casa: “Eu não me preocupo com números, preocupo-me com a qualidade. Aqui os meninos têm um ensino mais rigoroso.”
Três décadas “de sacrifícios”
A escola funciona há 17 anos nas atuais instalações, mais amplas e adaptadas ao crescimento natural da academia. “Na altura mudámos porque surgiu esta oportunidade. O espaço antigo era mais pequeno. Aqui temos duas salas e muito mais espaço para os meninos”, explica.
Maria Fonseca e Diana Lopes, alunas da Academia de Dança de Viseu, conquistaram dois segundos lugares no All Dance World
Ao longo de três décadas, o percurso tem sido exigente. “Foi com muito sacrifício, uma luta muito grande”, admite Giselle. As dificuldades foram muitas – desde uma cidade “ainda muito reservada e pouco ligada à cultura”, como considera, até à sobrevivência financeira: “Manter as portas abertas foi sempre a maior dificuldade. Nem toda a gente tem a possibilidade de colocar os filhos em atividades deste tipo.” A pandemia foi outro golpe duro: “Foi quase começar do zero outra vez. Trabalhámos naquele impasse constante: abrir, fechar, abrir, fechar.”
Mesmo assim, a diretora nunca deixou cair o espírito competitivo que traz da infância. “Quando era menina, participava sempre em competições e, por isso, tinha de dar continuidade aos meus alunos”, conta. Desde 2004 que o nome de Viseu figura regularmente em palcos nacionais e internacionais, incluindo o Dance World Cup, onde um aluno de Giselle já chegou às finais mundiais em Braga. Este ano, o destaque voltou a surgir com a qualificação para Orlando — embora apenas duas alunas tenham viajado, por falta de apoios: “As despesas são muito caras e nós não temos apoio de ninguém.”
Uma escola “dos 8 aos 80”
Hoje, a escola recebe alunos “dos 8 aos 80”, entre crianças, jovens, adultos e seniores, com modalidades que vão do ballet clássico ao contemporâneo, jazz moderno, hip hop e sapateado. As aulas decorrem essencialmente entre as 16h00 e as 21h00, de segunda a sábado, complementadas pelo ensino articulado durante o horário escolar. A equipa conta ainda com três professores além de Giselle — dois deles antigos alunos.

Recentemente, a academia lançou também uma companhia de dança com seis dos seus talentos, reforçando a ambição de continuar a crescer, formar e criar. Porque, apesar das dificuldades, a recompensa chega sempre, como aconteceu nos Estados Unidos. “Conseguirmos destacar-nos mundialmente é um motivo de muita felicidade”, afirma Giselle, entre orgulho e emoção.
Trinta anos depois, a Academia de Dança de Viseu continua a provar que a persistência, a disciplina e o amor pela arte são capazes de transformar destinos — e de fazer “dançar o nome da cidade” um pouco por todo o mundo.








