
João Caiado quer continuar "trabalho extraordinário” com contas certas, através de “sacrifícios e verdade”
A antiga casa dos Bombeiros Voluntários de Viseu recebeu a a apresentação da Lista B – Servir, Zelando, que se candidata aos órgãos sociais da Associação Humanitária para o triénio 2026-2028. As eleições decorrem já este sábado, e a equipa liderada por João Caiado quis mostrar que pretende continuar o caminho trilhado nos últimos três anos — um mandato que, segundo os próprios, foi tão exigente quanto transformador.
Rodeado por muitos dos que o acompanham nesta recandidatura, João Caiado assumiu que o trabalho feito “não é meu, é desta equipa”, sublinhando o percurso surpreendente de recuperação financeira: “Encontrámos a associação com 765 mil euros de prejuízo e, neste momento, temos a possibilidade de colocar as dívidas a zeros. Reduzimos mais de meio milhão da dívida, para os 265 mil euros, valor que os depósitos bancários e o saldo de clientes permitem liquidar de imediato.” Um feito que, admite, só foi possível com “sacrifícios” e uma gestão que prefere o realismo à tentação de gastar mais do que é possível: “Assumimos que não podemos comprar tudo o que se quer, mas sim o que se pode.”
Um mandato “humano”
A equipa fez questão de lembrar que o mandato não foi apenas contas e números. “Além de recuperarmos os apartamentos, melhorámos as condições de quem está todos os dias no terreno. Não basta escrever ‘humanidade’, tem de se praticá-la”, destacou João Caiado, que garante que continuará a desempenhar um papel central nesta matéria caso a lista seja eleita.
"Fizemos sacrifícios mas fomos verdadeiros [...] assumimos que não podemos comprar tudo o que se quer mas sim o que se pode", referiu João Caiado
No mesmo registo, Margarida Caldeira, vice-presidente, reforçou que o foco não pode ser apenas financeiro. “Fomos uma direção mais presente, mais próxima do corpo de bombeiros e dos associados”, afirmou, defendendo a importância de continuar esse caminho de proximidade.
Durante a apresentação, os elogios internos multiplicaram-se. Colegas de lista chamaram a João Caiado “revolucionário”, descrevendo-o como alguém que tornou a gestão “mais atenta e eficaz”, sempre colocando “os outros à frente de si próprio”. Houve até quem brincasse que, neste mandato, “a única pessoa que não saiu beneficiada foi a mulher do João Caiado”.
Entre os presentes, Francisco Marques, recandidato também a vice-presidente, foi direto: “Não é digno haver uma lista concorrente, pelo trabalho e mérito desta equipa.” Recordou ainda que, graças ao trabalho feito, “os bombeiros têm hoje bom nome na praça, pagam a pronto aos fornecedores e não têm dívidas”. Para o dirigente, a união devia sobrepor-se à disputa: “Devíamos estar unidos pelos bombeiros.”
Um programa “de futuro”
A Lista B apresentou também algumas das prioridades para o próximo triénio. Entre elas, a continuidade da renovação da frota e dos veículos operacionais, a aposta em tecnologias emergentes e até a criação de unidades de drones e robótica para apoio no combate a incêndios — projetos que pretendem desenvolver em parceria com o Instituto Politécnico de Viseu, o Instituto Piaget e startups tecnológicas da região.

No capítulo da cultura e da comunidade, a equipa quer revitalizar iniciativas já tradicionais, como a Semana do Bombeiro, os Bailes de Carnaval e as galas da associação. As instalações também estarão na mira, com manutenção regular e melhoria contínua, além do reforço da cooperação com a autarquia viseense e juntas de freguesia, incluindo a atualização dos protocolos de apoio financeiro.
Com sala cheia, discursos firmes e um ambiente marcado pelo “orgulho no trabalho feito”, a Lista B fecha assim a sua apresentação com uma promessa clara: continuar a “servir, zelando” — mas agora com os olhos postos na tecnologia, na sustentabilidade financeira e na valorização humana.
“Boatos sobre a sede são mentira”
A apresentação da Lista B – Servir, Zelando não viveu apenas de elogios internos e balanços financeiros. Houve também espaço para desmontar polémicas — em particular, a acusação da Lista A, liderada por Castro Costa, de que lhes teria sido recusada a utilização da sede dos Bombeiros Voluntários de Viseu para a sua apresentação.
O recandidato João Caiado não fugiu ao tema e foi direto ao ponto: “É mentira. Sobre essa questão é fácil lançar boatos.”
A frase caiu como um balde de água fria na especulação que circulava nos últimos dias, e abriu caminho para uma explicação detalhada sobre o processo. Quem a deu foi Ribeiro Gonçalves, presidente da Mesa da Assembleia Geral e também recandidato, que procurou clarificar o que classificou como um simples cumprimento dos regulamentos.
Segundo o dirigente, o prazo para apresentações das listas terminava às 18h00 do dia 21 de novembro. “Face a isto, a Lista solicitou a apresentação pública da sua lista para as 19h00”. E aqui, explicou Ribeiro Gonçalves, entra a parte que “qualquer candidato devia conhecer”: enquanto as listas “não forem aprovadas e validadas na reunião subsequente ao fim do período de entrega das candidaturas”, não é permitido realizar apresentações oficiais nas instalações da associação.
“Dessa forma, aconselhei a não realização dessa apresentação”, esclareceu, assumindo que a decisão não foi política, mas sim regulamentar.







