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“A inclusão não é um ato de caridade, é um direito”

Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o Diário de Viseu ouviu a Associação de Paralisia Cerebral de Viseu para perceber de que forma a instituição tem promovido autonomia, participação e direitos

Assinalado todos os anos a 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência volta a colocar no centro do debate público a importância da inclusão, da participação plena e dos direitos humanos. Este ano, o mote é claro: “Promover sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para avançar no progresso social”.

A data pretende reforçar a necessidade de garantir que todos — independentemente da sua condição — possam integrar os vários domínios da vida em sociedade: cultural, político, económico e social. Mas, como lembra a ONU, este é também um dia para lembrar que, em todas as regiões, persistem barreiras significativas que limitam o desenvolvimento pessoal e coletivo das pessoas com deficiência e das suas famílias.

Para perceber melhor o impacto da data e o trabalho desenvolvido nesta área, Armando Torrinha, presidente da direção da APCV, instituição com mais de quatro décadas dedicadas à promoção da autonomia e da qualidade de vida de centenas de pessoas, sublinhou ao nosso Jornal que “este dia é uma oportunidade para reforçar o compromisso com os direitos humanos e para promover uma sociedade inclusiva, onde todas as pessoas tenham igualdade de oportunidades.” Reforçou ainda que esta é também uma ocasião para dar visibilidade ao trabalho contínuo da associação, que “há mais de 43 anos garante autonomia e participação ativa das pessoas que apoiamos”.

Inclusão ainda enfrenta barreiras
Na APCV, a inclusão parte sempre de um princípio estruturante: colocar a pessoa no centro de todas as decisões.

Armando Torrinha explica que a instituição segue “uma abordagem centrada na pessoa, desde a sua candidatura até à admissão, planeamento, execução e avaliação de atividades, alinhadas com um modelo de qualidade de vida que reforça a missão da instituição”.

Esse compromisso traduz-se em projetos concretos que incentivam a autonomia e a participação plena, como o Prisma, financiado pelo Portugal Inovação Social, e o YouthLink, integrado na medida Afirma-te Já do IPDJ.
Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, a inclusão plena continua longe de ser uma realidade.

Efeméride permite “dar visibilidade ao trabalho contínuo da associação, que “há mais de 43 anos garante autonomia e participação ativa das pessoas” que apoia

Segundo o presidente da APCV, “persistem barreiras físicas, como o acesso a espaços urbanos, transportes acessíveis e edifícios com limitações, para além de barreiras comunicacionais e tecnológicas que limitam a autonomia e a participação ativa na sociedade”.

Armando Torrinha reconhece que o Regime do Maior Acompanhado foi um passo importante, mas sublinha que ainda requer “acompanhamento e sensibilização”.

Um olhar para o futuro
O futuro da APCV passa por reforçar — e alargar — as suas respostas sociais. Um dos projetos mais significativos já está em andamento: o novo lar residencial, cuja abertura está prevista para junho de 2026.

“Será um marco histórico”, afirma Armando Torrinha. A nova infraestrutura “ampliará a resposta residencial, oferecendo condições dignas, seguras e humanizadas”, um passo essencial para garantir mais autonomia e qualidade de vida.

A instituição promete continuar a procurar e desenvolver novos projetos que promovam a inclusão social e tornem a sociedade mais preparada para acolher e valorizar todas as pessoas, sem exceção.

No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência — e em todos os outros — a mensagem ecoa com força renovada: incluir é transformar. E só transformando juntos é que a sociedade progride.

Dezembro 3, 2025 . 08:00

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