
Planalto Beirão dá um “salto no futuro” na gestão de biorresíduos
A sessão de apresentação da “Gestão de Biorresíduos do Planalto Beirão” decorreu no auditório da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) e foi presidida pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado.
A iniciativa reuniu vários autarcas dos 19 municípios abrangidos pela associação – um território com mais de 300 mil habitantes – bem como entidades locais e regionais, numa demonstração do peso institucional do projeto.
O novo serviço de recolha seletiva porta-a-porta já arrancou e promete transformar a forma como a região trata os seus resíduos. Numa primeira fase, pretende abranger 1500 utilizadores domésticos e cerca de 1000 não domésticos, entre restaurantes, hotéis, cantinas escolares e outros estabelecimentos, estimando-se a recolha de três mil toneladas de biorresíduos no primeiro ano. Para José Portela, secretário-executivo do Planalto Beirão, este é um passo estratégico: a recolha seletiva “na fonte é fundamental para atingir não só metas nacionais, como metas europeias, havendo apenas um único beneficiado: o ambiente”.
O processo nasceu em março de 2023, com a publicação do Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos 2030, e viria a ganhar forma com a aprovação, em 2024, por parte da AMRPB e da Ecobeirão. Em dezembro, a assembleia intermunicipal deu luz verde à implementação do modelo porta-a-porta, que entrou em funcionamento a 6 de outubro deste ano, em Viseu. Desde então, o sistema já opera em vários municípios – entre os quais Tondela, Mangualde, Vouzela, São Pedro do Sul e Penalva do Castelo – e chegará aos restantes ao longo de dezembro e janeiro. A meta é clara: a 30 de janeiro, o serviço deverá estar a funcionar em pleno em toda a região.
Além da recolha, o projeto apresenta uma inovação: o Planaltus, um substrato orgânico com o lema “Da terra e para a terra”, que permitirá valorizar os resíduos recolhidos por via da compostagem ou da digestão anaeróbia, gerando biogás e, posteriormente, energia elétrica injetada na rede. A imagem de marca do projeto – “Sou resto mas ainda presto” – reflete bem este ciclo.
Pimenta Machado sublinhou, porém, que o caminho não é simples. “Temos um longo desafio pela frente para algumas metas” de reciclagem e redução de resíduos, afirmou, reforçando que “Portugal está a correr atrás do prejuízo”, mas que o trabalho do Planalto Beirão é “incansável e exemplar”.
Leonel Gouveia, presidente do Conselho Executivo da AMRPB, enalteceu uma década de modernização e evolução tecnológica no setor dos resíduos, garantindo que a associação se afirmou “como entidade gestora de referência no contexto nacional”. Destacou também a redução do preço da água nos cinco municípios abastecidos pelo sistema intermunicipal e a implementação do novo serviço de recolha porta-a-porta, que considera um marco na promoção da economia circular.
A presidente da Câmara Municipal de Tondela, Carla Antunes Borges, destacou a relevância estratégica do projeto para o desenvolvimento sustentável do território. “O que vamos apresentar aqui hoje é efetivamente um salto no futuro”, afirmou, defendendo a importância da relação entre setor público e privado. Para Tondela, disse, o compromisso é claro: “Temos um direito, mas também uma obrigação” de criar condições para que as empresas ligadas à valorização de resíduos e à promoção da qualidade ambiental possam prosperar.
Com mais de 220 mil levantamentos anuais previstos só no setor doméstico e a possibilidade futura de redução tarifária em função da produção individual de resíduos, o Planalto Beirão prepara-se para dar um passo decisivo na modernização ambiental da região.







