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Arte do Côa celebra reconhecimento da UNESCO com duas exposições no museu

As duas exposições têm abertura marcada para sábado, nas salas de exposições temporárias do Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa

O Museu do Côa vai acolher as exposições “Cartografia da Pós Saudade” e “Mónada - Do rio até ao Mar” para assinalar o 27.º aniversário da inscrição da Arte Côa no Património Mundial da UNESCO, anunciou hoje a instituição.

Segundo a Fundação Côa Parque em comunicado enviado à agência Lusa, estas duas exposições têm abertura marcada para sábado, nas salas de exposições temporárias do Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, no distrito de Guarda.

A Arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A mostra “Cartografia da Pós Saudade”, do artista Ricardo de Campos, reflete sobre a despersonalização do indivíduo, afastado de si mesmo e da natureza.

Segundo a apresentação da mostra, que tem a curadoria de Ana Costas, esta “incide nas paisagens desoladas e de uma calma aparente, evocam a serenidade das antigas pinturas japonesas, o instante suspenso no olho do furacão ou na antecâmara do desastre natural”.

“Aqui a máquina surge como exoesqueleto vazio de humanidade, num ambiente árido e denso, aproximando-se de um imaginário pós-apocalíptico”, explica a folha de sala do Museu do Côa.

A outra exposição, “Mónada - do Rio até ao Mar”, de Araújo Zilhão, propõe "uma travessia entre o íntimo e o infinito numa constante inquietação na busca pela humanidade: Perante a vida e o outro. Perante a arte e as modalidades. Perante o espírito uno e as perceções globais e alienadas".

Inspirando-se no conceito de base de “Mónada” - uma substância una, indivisível -, o artista parte da ideia de que cada ser é um universo autónomo que reflete todos os outros, criando uma série de obras que exploram a solidão, o espanto e a interligação invisível e inconformada entre o humano e o mundo.

“Esta exposição desenvolve-se como um percurso simbólico-metáfora do movimento interior e da expansão da consciência”, segundo o artista.

“Araújo Zilhão transforma o gesto artístico num ato de resistência, resiliência e revelação, onde cada peça se afirma como um fragmento de infinito e de um todo, uma janela para o que não se explica, apenas se sente e provoca um sentir”, indica a Fundação Côa Parque

 No Museu do Côa, a arte de Araújo Zilhão afirma-se como “contra a corrente: inquieta, sensorial e filosófica". “'Mónada  - do Rio até ao Mar' é um convite à contemplação, à escuta e à reflexão, uma viagem pela criação enquanto espelho da própria existência e afirmação”. 

Como uma imensa galeria ao ar livre, o Parque Arqueológico do Vale do Côa ocupa 20 mil hectares de terreno que estão distribuídos pelos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Mêda, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, a que se junta o concelho de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, com manifestações de arte rupestre.

Quando da criação deste parque, em agosto de 1996, foram identificadas 190 rochas com arte rupestre. Atualmente há 1511, das quais 38 são pintadas, o que representa um total de 15.661 motivos identificados, em mais de uma centena de sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 30 mil anos, num ciclo artístico que nunca foi interrompido.

Novembro 12, 2025 . 09:40

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