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“Atrasos graves” dos correios deixam freguesias de Tondela em suspenso

Milhares de moradores e empresas enfrentam atrasos sucessivos na entrega de cartas, encomendas e até jornais. O Diário de Viseu investigou a situação, que já fez com que cidadãos falhassem prazos de pagamento

Vive numa freguesia do concelho de Tondela e não recebe cartas há dias? Quando foi a última vez que “viu o carteiro passar”? Está à espera de correspondência ou de uma encomenda urgente e ela, simplesmente, não chega? Se sim, saiba que não é o/a único/a.

Atrasos sucessivos na entrega de cartas, encomendas - e até do jornal do Diário de Viseu - estão a afetar milhares de pessoas no concelho tondelense. A situação tem vindo a agravar-se nas últimas semanas e afeta, sobretudo, as localidades de Santiago de Besteiros, Muna de Besteiros, Caparrosa, Silvares, Vilar de Besteiros, Paranho de Besteiros, entre outras. Assinantes e cidadãos relatam falhas recorrentes que atingem tanto a correspondência normal como jornais diários, documentos bancários e cartas de serviços essenciais, como água, luz, telefone ou comunicações do Estado, como cartas da Segurança Social e do Registo Civil.

Cartas não chegam, faturas falham pagamento
De acordo com relatos recolhidos pelo Diário de Viseu, há cidadãos que estão a receber notificações de pagamento além da data limite, obrigando-os a contactar entidades e serviços para pedir novos dados. Um problema particularmente grave naquele conjunto de localidades, onde cerca de 40% da população tem mais de 65 anos, sem acesso facilitado a meios digitais que permitam resolver situações urgentes.

Também empresas locais estão a sentir os efeitos: cheques que chegam atrasados, despesas que não são regularizadas a tempo e encomendas que não são entregues porque, simplesmente, “o carteiro não passa”.

Correspondência em algumas freguesias de Tondela está a chegar a casa de moradores e empresas com atrasos de várias semanas

Ctt Tondela 1

Escassez de carteiros ou falhas na organização?
Alguns subscritores do nosso Jornal, este que deveria chegar diariamente em vários casos, dizem recebê-lo, às segundas-feiras, “três ou quatro edições em atraso, acumuladas com cartas que deviam ter chegado na semana anterior”.

O descontentamento é partilhado por todos os que vivem nas zonas mais afetadas. Queixam-se de que “os carteiros aparecem apenas uma ou duas vezes por semana”, e quando algum entra de baixa ou entra no seu período de férias, “não há substituição”.
A agravar a situação, vários habitantes denunciam que estão a operar carteiros deslocados de outros concelhos e até distritos. “Não conhecem a zona, andam com GPS à procura das casas e, quando falha, simplesmente não entregam a correspondência”, relatam.

Enquanto isso, muitos moradores sentem-se obrigados a deslocar-se ao Centro de Distribuição, sediado em Tondela...mas o que encontram são “filas enormes” e, muitas vezes, a desilusão de regressar a casa, ou à empresa, “de mãos vazias”.

A resposta dos CTT
Questionados pelo Diário de Viseu, os CTT confirmam que “têm ocorrido constrangimentos pontuais no Centro de Distribuição Postal de Tondela, resultantes de várias ausências de pessoal imprevistas e dificuldades de toponímia”, ou seja, os operacionais não conhecem os locais de entrega de correspondência.

Segundo a empresa, “para minimizar o impacto, foram destacados carteiros de outras unidades operacionais, nomeadamente de Sever do Vouga, Águeda e Santa Comba Dão”. Adiantam que, “devido a estas medidas e ao regresso de dois carteiros, a distribuição está em fase de normalização”, não tendo sido dada uma data específica.

Leitores do Diário de Viseu enviaram à nossa redação casos em que recebem "as cartas todas ao mesmo tempo"

Cartas

Relativamente aos cidadãos que se deslocam ao Centro de Distribuição de Tondela para tentar levantar correspondência, os CTT garantem que “não existe atendimento ao público nesse local”. No entanto, o Diário de Viseu sabe que, na prática, é sim possível levantar cartas e encomendas nesse edifício — uma contradição que deixa a dúvida no ar.

Certo é que, nesta localidades, o serviço postal, essencial para o dia-a-dia de milhares de pessoas e empresas, está longe de cumprir o que promete. E mais: o Diário de Viseu sabe de situações em que cartas de pagamento foram entregues já depois do prazo, obrigando os destinatários a iniciar processos de renegociação. Uma falha grave que, além de comprometer prazos e compromissos, expõe os cidadãos mais vulneráveis — muitos deles seniores — a um complexo ciclo burocrático que dificilmente conseguem acompanhar.

“Quando não há cartas registadas, em que os carteiros são obrigados a entregá-las, podemos ficar semanas sem nada”, partilham alguns dos lesados

Todas as informações apresentadas pelo Diário de Viseu neste artigo foram recolhidas através de contacto direto com assinantes, empresas e cidadãos afetados nas freguesias descritas. A comparação com localidades vizinhas, onde o serviço funciona com normalidade, reforça a evidência de que as falhas são graves e estão localizadas.

Espera-se agora que a anunciada “fase de normalização” se traduza, de facto, numa distribuição regular da correspondência. Mas fica a marca de um período em que milhares de pessoas e empresas foram deixadas à mercê de atrasos sucessivos, depois de semanas de incerteza e constrangimentos, sem qualquer explicação oficial atempada.

Outubro 8, 2025 . 08:30

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