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“Enquanto uns insistem em olhar para trás, nós apresentamos soluções para o futuro de Viseu”

João Azevedo, que se recandidata à presidência da Câmara de Viseu pelo PS, assenta o seu programa eleitoral em 16 áreas que considera fundamentais para o desenvolvimento do concelho. E garante que há projetos de hoje que não terão futuro com o executivo socialista

Diário de Viseu: Há quatro anos deu os melhores resultados de sempre ao PS em Viseu, mas não concretizou o objetivo que era vencer. Porque volta a candidatar-se?

João Azevedo: Quando assumi a responsabilidade de uma candidatura à Câmara de Viseu, tinha esse compromisso com quem me convidou e que quero continuar a cumprir. Os viseenses sabem disso.

O que mudou nestes quatro anos que possa cativar os votos dos viseenses?

Muito mais conhecimento do território de Viseu e das suas gentes com muito mais profundidade. Conheço muito bem as suas necessidades e por isso é que cada vez tenho mais força e vontade em ganhar as eleições, e podermos governar a câmara no sentido de melhorarmos a vida das pessoas porque há muito para fazer.

Assume-se como um candidato de proximidade. Sente-se bem acolhido em Viseu?

Sou muito bem tratado em Viseu e quero aproveitar para agradecer esse carinho permanente dos viseenses na rua, nas casas, nas associações, nas instituições públicas.

Quais são os pilares da candidatura?

Há para nós pilares fundamentais, embora o investimento seja feito em todas as áreas. Eu começava pelo emprego, que representa, hoje e sempre, o futuro do território. O facto de termos mais e melhor emprego, mais bem remunerado, novas profissões, ir à procura do emprego qualificado nas áreas das tecnologias, no setor transformador, é essencial. Temos visitado muitas instituições que estão sedentas que haja esse investimento. As empresas de Viseu, e deixo aqui uma palavra especial ao tecido empresarial, que merece um grande respeito, porque tem feito um trabalho enorme na economia local e com poucas condições. As áreas de acolhimento empresarial não são ampliadas, não têm as condições das áreas de última geração. Ou seja, é preciso olhar para o emprego co­mo o principal pilar do desenvolvimento do território.

Temos de garantir que quem nasce em Viseu tem as condições para ficar cá durante todo o seu percurso de vida, se assim o desejar

Que tipo de emprego?

Acima de tudo emprego qualificado e nós temos hoje condições para anunciar que estamos com conversações para atrair investimento nas áreas da indústria automóvel e da metalomecânica a partir de um processo de tecnologia e de um conhecimento que também vai ser sediado em Viseu, o STAR Institute. Uma instituição que nasceu num concelho vizinho, como todos sabemos, e que está a contribuir para que esse processo aqui aconteça, representando um investimento de mais de três milhões de euros em Viseu que me deixa muito feliz.

Depois, no setor da indústria farmacêutica, estamos com grandes conversas no sentido de o trazer para cá. E também no hub de transporte e da logística, especialmente porque Viseu tem uma localização extraordinária e que nunca foi aproveitada, ao contrário do que aconteceu noutros concelhos vizinhos. E para isso podemos aproveitar as vias de comunicação, os transportes, as indústrias que temos aqui à volta e que virão para Viseu connosco, para que este território seja competitivo e tenha muita capacidade de atração de emprego.

De olho nos mais jovens?

Sem dúvida. Um jovem que nasce em Viseu pode e deve ter a oportunidade de aqui fazer a sua formação escolar até ao secundário e ter a possibilidade de fazer a sua formação no ensino superior porque temos hoje uma academia que vai respondendo àquilo que são os anseios dos filhos de Viseu. O Instituto Politécnico de Viseu, a Universidade Católica, o Instituto Piaget, o ensino profissional e agora o STAR Institute, que servirá também para potenciar conhecimento e desenvolvimento nessa área. E depois, claro, que fiquem a trabalhar em Viseu, o que não acontece hoje. Mas também temos de ter a capacidade de atrair novos jovens de outras zonas do país. E para isso temos de oferecer emprego qualificado e bem remunerado.

Mas Viseu foi um dos concelhos que cresceu a nível nacional em população. Não é sinal de que alguma coisa foi feita nos últimos anos?

Mas o saldo natural é negativo. São quase 900 pessoas de diferença entre a taxa de natalidade e a de mortalidade e só cresceu à conta da imigração e bem. E portanto, sendo negativo, é sinal que as políticas não foram bem aplicadas. Nós não conseguimos aumentar os ordenados e por isso temos de ter políticas públicas de forma que as pessoas possam ter rendimentos maiores durante o mês. Ora através de serviços públicos, ora através de captação de emprego qualificado, dando condições para que esses empregos venham para cá. É essa a obrigação do poder local.

Joao Azevedo 3
“Viseu é atacado pela incapacidade de fazer casas, candidaturas a tempo e horas e de perder milhões de euros”, acusa João Azevedo

Mais emprego, mais pessoas, necessariamente mais habitação. De que forma?

Na habitação, é um desastre absoluto o que aconteceu nos últimos anos em Viseu e é preciso denunciar. No setor privado, entre 2018 e no final de 2021, início de 2022, foram licenciadas e construídas 750 casas. No triénio entre 2022 e 2024 foram construídas menos de quase 200 casas. Portanto, o setor privado está completamente aniquilado por um processo de castração do Plano Diretor Municipal, por incapacidade política de responder às pessoas e àqueles que querem investir em Viseu.

A câmara não é hoje uma câmara amiga do investidor e a prova é que a indústria da construção regrediu. E, portanto, toda a fileira da construção está altamente chateada e com pouca confiança ou com nenhuma confiança no atual modelo político em Viseu.

Mas no setor público ainda é mais inacreditável. Viseu está na cauda do investimento no país, na área da construção civil e na área da habitação. O Primeiro Direito não existe, a habitação para pessoas que não têm condições para ir ao mercado financeiro não existe. E desta forma, ou o Estado faz ou estas pessoas vivem em casas sem condições dignas. Mas também não hou­ve nenhuma aposta no arrendamento acessível para jovens e famílias monoparentais. Esta câmara destruiu por completo uma estratégia de habitação que estava de­senhada em Viseu, não fazen­do casas e ainda por cima per­den­do milhões de euros do PRR. Portanto, Viseu é duplamente atacado pela incapacidade de fazer casas, candidaturas a tempo e horas e de perder milhões de eu­ros, que vão para outros concelhos.

O seu programa eleitoral assenta em 16 áreas. Porquê estas?

Porque são bases fundamentais e tocam verdadeiramente em tudo o que é a vida das pessoas e dos territórios. Hoje, a gestão dos territórios já se faz de uma forma muito diferente de há 15 anos. No período da Troika, não se falava em falta de habitação e hoje fala-se. Não se falava em falta de recursos humanos para trabalhar, hoje sim, portanto, mudou tudo. Mas em Viseu não acompanharam essa evolução.

Viseu é, há 36 anos, um concelho PSD. Essa realidade está a mudar?

A nossa candidatura tem muito a ver com as pessoas. Eu tenho uma honra enorme em ser dirigente do PS a nível nacional. Sempre estive no Partido Socialista, como estarei até o fim da minha vida. Mas nós não podemos olhar para as eleições autárquicas nesse plano e é por isso que temos centenas de pessoas sem nenhuma orientação ideológica próxima do Partido Socialista ou que tivessem estado dentro do PS e que estão nas nossas listas e no nosso projeto. Aliás, a nossa comissão de honra representa a pluralidade democrática e daqueles que querem ajudar este concelho a crescer.

Nós não queremos radicais dentro do nosso projeto, não fazemos acordos com ninguém que represente o populismo e o radicalismo, e mais, não fazemos acordos com pessoas que foram eleitas e que faltaram em permanência às suas responsabilidades nos órgãos para que foram eleitos. Se calhar, por alguma razão, faltaram. Mas é preciso perceber o porquê dessas faltas na assembleia municipal da representante do Chega nos últimos quatro anos.

Representa uma mudança dentro do PS Viseu?

Não, nem quero ter esse pretensiosismo. Já fui presidente da Câmara Municipal de Mangualde pelo PS, já fui presidente da Federação do PS, sou membro da direção nacional, já fui vice-presidente da mesa da assembleia geral, já desempenhei quase todos os cargos dentro do meu partido. As pessoas conhecem-me pelo meu trabalho e pela minha dedicação. Eu represento o Partido Socialista de uma forma global e, sabe uma coisa, eu já ganhei.

Nós não queremos radicais dentro do nosso projeto e não fazemos acordos com pessoas que faltaram às responsabilidades nos órgãos para que foram eleitos

Ganhou em quê?

Já ganhei porque o PS precisa de ganhar. O PS é um partido que tem de ir ao encontro dos problemas das pessoas e ter a sua confiança. Portanto, nós temos muita honra em pertencer a um projeto político que tem gente de todas as sensibilidades políticas. Estamos aqui para abraçar as pessoas que nos queiram ajudar neste projeto. E enquanto uns insistem em olhar para trás, nós apresentamos um caminho para a frente. Com energia, visão, soluções para o futuro de Viseu e que Viseu merece. O passado já mostrou os seus limites, o futuro começa em outubro connosco, com novas ideias e nova energia.

Porquê a escolha do Mercado 2 de Maio para esta entrevista?

Sobretudo, para explicar o que que queremos fazer nesta zona. O Mercado 2 de Maio hoje não tem agenda, não tem vitalidade, não tem pessoas. Uma obra que o atual presidente da câmara ora diz que é importante, ora desdenha porque não foi ele que a fez. Mas não fez nada para resolver o problema. A culpa é sempre dos outros. A câmara tem de ter agenda própria para esta zona da cidade. Mas não só. Se começarmos uma visita pela Praça do Soldado Desconhecido, junto ao Teatro Viriato, subimos a rua Direita, completamente abandonada, com dezenas de lojas fechadas e degradadas. Uma das principais ruas desta cidade sem qualquer agenda ou ações de mobilização. Vemos obras públicas paradas há meses.

E como pensam inverter essa realidade? Já outros tentaram e não conseguiram.

Consolidando uma agenda mensal para todo o casco velho da cidade, desde a rua do Comércio, a rua Direita ao Mercado 2 de Maio, fazendo a ligação ao 21 de Agosto e a todo o eixo do rio Pavia. Ou seja, também mobilizar pessoas a virem para um verdadeiro centro comercial a céu aberto. Nós queremos transformar a zona urbana da cidade de Viseu num verdadeiro centro comercial atrativo, com lojas mais modernas, com agenda diversificada desde o dia 1 de janeiro ao dia 31 de dezembro.

Vamos ter um programa de apoio de reabilitação do comércio local, que sairá do Orçamento da Câmara para que aqueles que hoje estejam com mais dificuldades em reabilitar e modernizar os seus espaços possam aceder a esse fundo de investimento. E, ao mesmo tempo, promovermos iniciativas na rua para que possamos atrair pessoas e reconquistar a confiança dos comerciantes e dos clientes. Aliás, Viseu é conhecido como a cidade do comércio. Temos de saber aproveitar a história da cidade que começa na essência do rio Pavia e vem para a zona alta da cidade através do comércio.

Joao Azevedo
"As obras arrancaram num governo PSD, mas se não se tivesse feito o trabalho, ainda estávamos a falar do IP3, que infelizmente está atrasadíssimo"

“O IP3 está atrasadíssimo e todos os partidos têm culpa”

O PS é criticado por ter prometido obras e não as ter concretizado. O IP3 é o exemplo mais flagrante.

O IP3 não é uma obra deste presidente de câmara nem deste Governo. Todos sabem disso, mas tentam reescrever a história. O IP3 só se iniciou porque houve um governo socialista que preparou um projeto, um orçamento e o dotou com cerca de 100 milhões de euros para fazer uma obra que está atrasada há décadas. O Dr. Fernando Ruas foi, e é, presidente da Câmara de Viseu, nos 15 anos em que o país foi governando pelo PSD, com Cavaco Silva, Durão Barroso, Pedro Passos Coelho e nada a­conteceu. E desde 1989 até agora, teve 20 governos do PS e foi nestes que as coisas aconteceram. Ou seja, as obras arrancaram agora num governo PSD, mas se não se tivesse feito o trabalho, hoje ainda estávamos a falar do IP3, que infelizmente está atrasadíssimo.

Todos os partidos têm culpa e res­ponsabilidade. Mas não se pode esquecer o facto do atual presidente assumir o concelho desde 1989 e ter sido também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses e nunca terem tido a força, nos governos PSD, para fazer aquilo que nós fizemos.

E quanto ao Centro Ambulatório e de Radioterapia?

Não é a mesma coisa, mas quase. O concurso foi lançado lá trás, a adjudicação foi feita agora, a consignação ainda não está feita por estar no Tribunal de Contas, mas foi tudo preparado num tempo do outro governo. E, portanto, quem dizia em comícios que eu estava a prometer aquilo que não podia, que dizia que era impossível, está agora a aproveitar esse trabalho feito para uma obra que também está muito atrasada. E já agora falamos da saúde mental. Este foi um projeto feito noutros tempos, financiado noutros tempos no âmbito do PRR, lançado noutros tempos e adjudicado noutros tempos.

Mas tem falado nas suas intervenções em novidades para a saúde. De que se trata?

Além de tudo aquilo que já referi, como a importância da radioterapia e da saúde mental, vamos avançar com o SNS 24. Trata-se de um projeto que vai colocar um funcionário do município em cada freguesia, cinco dias por semana para resolver o problema dos que estão mais distantes da sede do concelho. Marcação de consultas, receituário, respostas de plataformas da saúde. Este é um projeto que já existe no país e que foi criado por uma viseense, e que nós queremos implantar nas 24 freguesias, dado que a Freguesia de Viseu já tem os seus serviços próprios.

“Com esta liderança, há tensão permanente dentro da CIM”

Viseu é um dos 14 municípios da CIM Viseu Dão Lafões. Que tipo de liderança defende?

É muito importante para a região que a liderança da CIM seja diferente. Hoje, há tensão permanente nas relações institucionais, hoje o presidente da CIM não representa, institucionalmente, as boas relações, como existiram no passado e com quem eu tive oportunidade de trabalhar. Carlos Marta, José Morgado e Rogério Abrantes, que tiveram sempre um comportamento exemplar com os municípios e de grande relação com os autarcas. A região precisa de lideranças fortes que consigam junto das instituições nacionais e internacionais, cativar investimento, público e privado. Mas também precisam de pessoas que representem tolerância, moderação, saber ouvir e fazer política com classe.

A CIM tem de ser uma voz única da região?

Uma voz única que tenha a capacidade de ser magnânima e que consiga respeitar os investimentos, a diversidade. E não repita coisas como foram feitas pela atual liderança. Como por exemplo, o facto de terem anunciado que o aeródromo tinha que entrar no complexo quadro da CIM e até hoje não haver decisão nenhuma.

Ou a questão da compra na área da proteção civil e segurança, em que Viseu é o concelho mais atrasado quando falamos em rácio per capita, com um bombeiro e meio por mil habitantes, o mais baixo da região. Em Tondela é cinco por mil habitantes, em Mangualde é três por mil. Também vieram anunciar que a CIM ia comprar uma auto-escada e até hoje não há nenhuma para poder circular em Viseu ou pelos outros concelhos que a integram.

Mas esse rácio não tem a ver com o aumento da população em Viseu?

Não, porque estamos a falar num rácio por mil. Mas é verdade que, se a população aumenta, nós temos de precaver os serviços para darem uma resposta adequada. Mas apontei apenas dois exemplos claros da incapacidade da gestão, por parte desta liderança, do processo da comunidade intermunicipal.

Outubro 6, 2025 . 11:14

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