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As crianças são um pilar essencial no apoio aos avós com doença mental

O Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer assinala-se domingo com uma campanha a pensar nas crianças. “A demência explicada às crianças” pretende, por um lado, “aumentar a literacia em saúde” na área das demências, por outro, envolver os mais pequenos no acompanhamento dos familiares, em especial os avós e no combate ao estigma social

Quantos de nós já não nos esquecemos do sítio onde guardamos as chaves, do lugar onde deixámos o carro. Quantos de nós já náo olhámos os filhos e os netos e pensamos e se um dia deixo de os conhecer. Já todos nós pensámos, com medo, e se tudo isto são sinais de demência ou da doença de alzheimer. Quantos de nós não conhecemos alguém que convive diariamente com esta realidade.
Como explica a Associação Portuguesa de Familiares e amigos dos Doentes de Alzheimer “cada pessoa é única e a demência é experienciada por cada indivíduo de forma diferente, não havendo duas pessoas que apresentem sintomas exatamente da mesma forma”. Os sintomas também variam consoante o tipo de demência, sendo a doença de alzheimer o tipo mais comum de demência.
No entanto, há sinais que devem ser levados em conta por todas as pessoas e, em particular, por quem as rodeia.
Se estes sinais forem novos, podem ser um sinal de demência. É importante reconhecer que “a demência não faz parte do envelhecimento normal” e, por isso, se estes problemas estão a afetar a vida quotidiana, é fundamental falar com o médico ou com a Alzheimer Portugal para que todos os despistes sejam feitos e, mais importante ainda, o acompanhamento possa ser feito da melhor forma possível.

 

Dia mundial quer envolver os mais pequenosAssinalado a 21 de setembro, o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer é este ano dedicado aos mais pequenos para que estes aprendam a lidar com uma doença que afetará, inevitavelmente, a vida de toda a família.
E muitos são os livros já editados a pensar nas crianças. “O pequeno elefante memo” é apenas um deles onde, através de um apelo à ternura e ao amor, se pretende “quebrar o estigma e o isolamento a que as pessoas com demência são muitas vezes votadas, mostrando como continuam a ser úteis à sociedade”.
Com edição da Alzheimer Portugal, este livro pretende “informar, alertar e esclarecer as crianças para a importância do apoio aos seus avós com doença de alzheimer no dia-a-dia, ajudando-os a ultrapassar as dificuldades inerentes à patologia, principalmente devido aos problemas de memória”.
Pretende-se igualmente promover as relações existentes entre gerações, afirmando que “a pessoa idosa tem um papel importante na sociedade e na família, e que as crianças são agentes fundamentais no estreitamento e estímulo desses laços”.
É nesse espírito que a campanha deste ano para assinalar o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer assenta no tema “A demência explicada às crianças”. E porquê? Porque a Alzheimer Portugal considera as “crianças e os jovens como um público-alvo determinante para aumentar a literacia em saúde na área das demências e combater o estigma associado a esta problemática, cada vez mais relevante do ponto de vista social e de saúde pública no nosso país”.

 

Capacitar os adultos para explicar o que se passa aos mais novos

Tendo em conta o facto de um número cada vez mais significativo de famílias se confrontar com os desafios relacionados com a experiência de viver com demência, esta associação considera que é importante também “capacitar os adultos, cuidadores informais e profissionais para que saibam explicar aos mais novos o que se está a passar com os seus familiares, de um modo claro, tranquilo e adaptado a cada faixa etária”.
De acordo com Rosário Zincke dos Reis, presidente da direção nacional da Alzheimer Portugal, o objetivo geral desta campanha é “contribuir para aumentar a literacia na área das demências, visando capacitar os adultos para ajudar os mais novos a compreenderem o modo como a doença e as suas manifestações interferem na vida dos seus entes queridos e nas dinâmicas familiares”.
“Com maior conhecimento seremos mais capazes de empatizar com a perspetiva das pessoas que vivem com demência e, consequentemente, estaremos mais perto de uma sociedade que verdadeiramente as integre, respeite e promova os seus direitos”, afirma, considerando que “é imprescindível quer a participação ativa da pessoa com demência, quer o envolvimento das crianças e dos jovens que são veículos privilegiados para combater o estigma e promover a inclusão”.

Setembro 19, 2025 . 08:30

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