
Gastronomia, folclore e religião nos festivais de Vila Cova à Coelheira
Vila Cova à Coelheira volta a fazer alarde da sua arreigada tradição no fabrico do pão e das afamadas bôlas com a realização, amanhã e domingo, de mais uma edição do Festival do Pão. A aldeia tem sete fornos comunitários, colocando três deles a cozer nos dois dias (Capela, Mosteiro e Pombal), dali saindo pão quentinho e as bôlas de chichos, salpicão e sardinha.
Paulo Marques, presidente do Município de Vila Nova de Paiva, enfatiza que o evento coloca a aldeia e tudo o que ela faz de melhor em destaque, “que são as suas fenomenais bôlas, feitas de modo tradicional em fornos comunitários. É sempre uma maravilha podermos degustar as bôlas quentinhas, acabadas de sair dos fornos, no domingo de manhã. Esse é o traço mais característico do Festival do Pão, ao qual está acoplado o 40.º Festival do Folclore e as mostras de artesanato e gastronomia local”.
A animação está garantida na aldeia, com cantares ao desafio, concertos, desfile de escola de samba, concertinas, entre outros. Junte-se a isto as previsões de bom tempo para o fim de semana e “estão todas as condições reunidas para ser um fim de semana com muitos visitantes, muitos repetentes também, porque é assim que habituamos as pessoas a virem ao nosso concelho e a cada uma das nossas freguesias, porque todas elas contam”, acrescentou o autarca.
Com tantos eventos na sua agenda anual, a autarquia paivense orgulha-se de os disseminar pelo concelho, sempre numa forte parceria com as juntas de freguesia, “algo que faz com que tudo corra cada vez melhor”.
Nestes dias, Vila Cova à Coelheira ganha uma dinâmica diferente, com animação constante, atuações musicais e o bulício habitual deste tipo de eventos, visando a valorização dos produtos endógenos, com o intuito de incentivar e promover o fabrico do pão, potenciando os fornos comunitários e os usos e costumes de outrora.
Um dos pontos altos do fim de semana será a visita aos fornos comunitários e a prova das bôlas. Elas saem quentinhas dos fornos, são cortadas em pedaços e colocadas nas mesas para as pessoas tirarem e provarem. Tem mais sabor ainda porque são amassadas e cozidas na aldeia, de forma tradicional, levando apenas a carne de porco, o salpicão ou a sardinha por cima e não por dentro da massa.
Quem trabalha nos fornos comunitários perpetua uma herança cultural e gastronómica de largas décadas, numa terra que sempre cozeu nos fornos, partilhando o “saber fazer” de um labor que há anos lhe corre nas veias com as gerações mais novas, que irão dar continuidade a este delicioso legado.
Um produto tão apreciado deveria ter uma receita escondida a sete chaves no fundo de um serôdio baú, longe dos olhares curiosos de quem possa o pretender industrializar. Mas não é o caso. Maria Reis, presença habitual nos fornos comunitários, explicou como se faz.
“Amassa-se a farinha, com fermento e sal, e amassa-se muito bem amassada, juntando água quente. Depois deixa-se levedar, fintar, e quando estiver pronta tende-se a massa, tem de ficar bem tendida. Depois traz-se para o forno, deixa-se repousar um bocadinho, para depois esticarmos a massa, colocar a carne por cima e meter no forno a lenha. A carne já tem de estar preparada, cortada e temperada apenas com sal. Não tem grande ciência”, concluiu a septuagenária.
DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO
AMANHÃ
14h30 - Abertura do festival
15h00 - Atuação dos Vouguinhas
16h30 - Cantares ao desafio
18h30 - Escola de samba
20h00 - Canto de Vésperas Comum de Nossa Senhora
21h00 - Atuação dos Minhotos Marotos
23h00 - Atuação dos Cromos da Noite
DOMINGO
8h45 - Missa em honra de Nossa Senhora do Rosário, seguida de procissão
10h00 - Visita aos fornos comunitários e prova de bôlas
15h30 - 40.º Festival de Folclore, com a participação de cinco ranchos folclóricos
18h30 - Atuação de Toy








