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“Abordagem multidisciplinar no tratamento da doença oncológica é uma das principais forças do Hospital CUF Viseu”

As doenças oncológicas continuam a ser muito prevalentes, com o cancro da mama, o cancro do pulmão e os cancros digestivos a representarem uma grande parte dos diagnósticos oncológicos no nosso país. Na Semana Europeia da Luta contra o Cancro, celebrada de 25 a 31 de maio, os médicos do Hospital CUF Viseu explicam de que forma é que os avanços no diagnóstico e tratamento têm sido essenciais para aumentar as taxas de sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Maria João Leitão, oncologista no Hospital CUF Viseu, com diferenciação em cancro da mama e digestivo, sublinha que a deteção precoce, o diagnóstico célere e uma abordagem multidisciplinar são cruciais no combate ao cancro, realçando também os avanços tecnológicos que hoje permitem tratamentos mais eficazes e personalizados.

Quais os cancros mais prevalentes em Portugal?
Em Portugal, os três tipos de cancro mais prevalentes e com maior impacto na saúde pública são o cancro da mama, colorretal e do pulmão. O cancro colorretal é o tipo de cancro mais diagnosticado em Portugal, com mais de 10.000 novos casos anuais, 15% de todos os diagnósticos de cancro no país, segundo o Registo Oncológico Nacional, e afeta tanto homens quanto mulheres. É a segunda principal causa de morte por cancro em Portugal.
O cancro da mama é o tipo de cancro mais diagnosticado em mulheres portuguesas. Segundo dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro, é responsável por 16% de todas as mortes por cancro no país, mas felizmente esta taxa de mortalidade tem vindo a diminuir.
Já o cancro do pulmão é o terceiro mais frequente em Portugal, com cerca de 5.000 novos casos diagnosticados anualmente, e a principal causa de morte por doença oncológica no país. Mais de 80% dos casos estão associados ao consumo de tabaco.

Quais são os sinais de alerta e que devem motivar a procura de um especialista?
A deteção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. No cancro da mama, os sinais de alerta incluem alterações no formato da mama, nódulos palpáveis na mama ou axilas, alterações na pele – aspecto de casca de laranja, vermelhidão, feridas ou úlceras que não cicatrizam, inversão do mamilo, secreção mamilar anormal e dor persistente. No cancro colorretal, devemos estar atentos a alterações dos hábitos intestinais, como diarreia ou prisão de ventre, sangue nas fezes, dor abdominal ou cólicas, perda de peso inexplicada e fadiga extrema.
Manter a vigilância médica regular e realizar os rastreios apropriados de acordo com a idade e histórico familiar é crucial para a deteção precoce de ambos os tipos de cancro. Consultar um especialista sempre que houver sinais de alerta é a melhor forma de garantir um diagnóstico precoce e facilitar um tratamento eficaz.

Porque é importante um diagnóstico precoce?
Um diagnóstico atempado faz toda a diferença. Permite que a doença seja identificada em estadios iniciais, quando as células cancerígenas ainda não se espalharam (metástases), com opções de tratamento mais variadas, o que aumenta a probabilidade de cura e reduz os efeitos secundários e também o impacto emocional que representa a espera por um diagnóstico ou plano de tratamento. O diagnóstico precoce de um cancro, como o da mama ou colorretal, pode reduzir significativamente a mortalidade, uma vez que o prognóstico é muito mais favorável, quando tratado logo no início.

Como é realizado o acompanhamento do doente oncológico por parte das equipas do Hospital CUF Viseu?
A pessoa é inicialmente avaliada por um médico de Medicina Geral e Familiar ou outro especialista e encaminhada para a respetiva especialidade. Depois de uma avaliação minuciosa, podem ser prescritos exames complementares de diagnóstico. Confirmado o diagnóstico oncológico, o caso é discutido em Reunião Multidisciplinar para definir o melhor tratamento para cada doente. Este momento envolve uma equipa integrada de especialistas de várias áreas da medicina para oferecer uma visão completa e holística sobre todos os casos.
No Hospital CUF Viseu a equipa é também composta por enfermeiras oncológicas especializadas, psicóloga e nutricionista, assim como gestoras oncológicas e técnicas administrativas que acompanham todo o processo. Nos tratamentos, o seguimento regular é fundamental para detectar recidivas e monitorizar efeitos secundários. O acompanhamento inclui consultas de follow-up, exames e, se necessário, tratamentos de manutenção ou novos tratamentos caso a doença recorra. Quando necessário, articulamos com a equipa de Cuidados Paliativos, para minimizar o sofrimento e aumentar a qualidade de vida do doente.

Refere que é privilegiada uma abordagem multidisciplinar. Porque é uma mais valia?
A abordagem multidisciplinar no tratamento da doença oncológica é uma das principais forças do Hospital CUF Viseu no acompanhamento dos doentes. A combinação de diferentes especialidades médicas e cirúrgicas permite uma avaliação e tratamento personalizados, além de proporcionar um acompanhamento completo e integrado ao longo de todo o percurso do doente, desde o diagnóstico até ao pós-tratamento. Também importa ressalvar que o tempo que decorre entre o diagnóstico e o início dos tratamentos é de grande importância.

Que avanços têm surgido nos últimos anos ao nível do diagnóstico e tratamento destas doenças?
Felizmente, a ciência tem avançado rapidamente na área da Oncologia, permitindo tratamentos cada vez mais eficazes e com menos efeitos laterais e a CUF tem acompanhado de perto esta evolução. A utilização das técnicas mais recentes para o diagnóstico é crucial para a definição do tipo e extensão da doença com precisão.
A tecnologia avançada é fundamental na Radiologia, como é o caso da mamografia 3D, ressonâncias e tomografias. Quando necessário, realizam-se exames de Medicina Nuclear com contrastes especiais. Na Gastrenterologia, são realizados exames de diagnóstico como endoscopias, colonoscopias, ecoendoscopias e exames das vias biliares, mas também tratamentos com métodos minimamente invasivos, que melhoram o tratamento de tumores localizados. Também na cirurgia e radioterapia, os tratamentos são mais precisos e menos invasivos, com uma recuperação mais rápida. As cirurgias de reconstrução mamária têm resultados cada vez mais naturais. Já as técnicas mais recentes da Anatomia Patológica permitem diagnósticos mais precisos e que conduzem a tratamentos personalizados.
Nos cancros digestivos e no cancro da mama, os avanços no tratamento sistémico têm permitido terapias cada vez mais eficazes e personalizadas, ajustadas a cada tipo de tumor e estadio, melhorando as taxas de cura e a qualidade de vida das doentes. Utilizamos não só quimioterapia, mas também imunoterapia e terapêuticas-alvo. Em alguns casos, realizam-se testes genéticos que ajudam a prever o risco de outras neoplasias, avaliar o risco em familiares e ajustar a vigilância clínica e tratamentos.

 

Cancro do pulmão: detetar precocemente salva e prolonga a qualidade de vida

O cancro do pulmão continua a ser o maior desafio oncológico, devido à sua deteção tardia em grande parte dos casos. Fernando Barata, pneumologista diferenciado em cancro do pulmão no Hospital CUF Viseu, destaca a importância da deteção precoce e dos programas que permitem um diagnóstico mais rápido e eficaz. O especialista explica ainda como a combinação de tecnologias inovadoras e terapias personalizadas tem contribuído para prolongar a vida dos doentes enquanto melhora a sua qualidade de vida.

Como é que a deteção precoce pode alterar o paradigma do cancro do pulmão?
O cancro do pulmão é a principal causa de morte por doença oncológica. Mais de 60% dos novos doentes são diagnosticados em fase avançada, isto é, com doença metastática ou disseminada. Inverter este cenário passa por um maior controlo sobre os fatores de risco como o tabaco, pela realização de exames de diagnóstico por parte dos indivíduos em risco e por um diagnóstico precoce.
Um diagnóstico precoce permite detetar mais cedo, em fase não disseminada e consequentemente iniciar um tratamento eficaz, com intenção curativa. Diagnosticar e tratar precocemente implica uma sobrevivência aos 5 anos superior a 60%.

De que forma é promovida a deteção precoce do cancro do pulmão no Hospital CUF Viseu?
O Hospital CUF Viseu possui neste momento todas as condições para a realização de um diagnóstico precoce do cancro do pulmão. Este é especialmente indicado para populações de risco como pessoas dos 50 aos 75 anos e fumadores ou ex-fumadores.
O programa de deteção precoce permite que a pessoa tenha acesso a uma consulta especializada, realize uma TAC de baixa dose visualizada e relatada por imagiologista experiente e se houver indicação realize outros exames complementares. Pontualmente, um nódulo ou nódulos pulmonares detetados em TAC representam a imagem inicial tratável de cancro do pulmão. O programa permite ainda orientação para a consulta de cessação tabágica.

Que resposta assegura o Hospital CUF Viseu a estes doentes?
Para todos os que procuram o Hospital CUF Viseu, possuímos toda a tecnologia para um diagnóstico invasivo e não invasivo, a avaliação da extensão torácica e extratorácica da doença e um tratamento personalizado com recurso aos fármacos mais inovadores. Na rede CUF garantimos uma célere e eficaz resposta da cirurgia, à radioterapia até aos tratamentos em Hospital de Dia para o doente com cancro do pulmão. Procuramos para todos os doentes dar mais vida em quantidade e qualidade.

 

Exames de diagnóstico: chave na prevenção e deteção precoce do cancro colorretal

O cancro colorretal é um dos tipos de cancro que mais beneficiam da prevenção ativa através dos exames de diagnóstico. A colonoscopia permite identificar e remover lesões precursoras, os denominados pólipos, antes de evoluírem para doença maligna, sendo por isso uma ferramenta essencial. Quando a colonoscopia está contraindicada ou não é exequível, existem hoje alternativas eficazes, como exames de imagem não invasivos ou testes de rastreio nas fezes.
Atualmente, a idade recomendada para início do rastreio foi antecipada para os 45 anos, tendo em conta o aumento preocupante da incidência em pessoas mais jovens. A realização de exames de diagnóstico é, por isso, absolutamente essencial para reduzir a mortalidade associada a esta doença.

Aposta em técnicas minimamente invasivas
No Hospital CUF Viseu temos vindo a reforçar o uso de técnicas endoscópicas avançadas no tratamento de lesões colorretais em fases iniciais. Estas abordagens permitem remover lesões superficiais da parede intestinal de forma minimamente invasiva.
São procedimentos seguros, eficazes e com impacto reduzido na recuperação do doente, preservando a anatomia e função intestinal. Estas técnicas permitem abordar casos ainda mais complexos e oferecer os tratamentos mais avançados.

Maio 29, 2025 . 08:30

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