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São Pedro do Sul recebe adenda para mitigar efeitos dos incêndios florestais

Valor do Fundo de Emergência Municipal passou de 600 mil euros para 1,7 milhões de euros para beneficiar várias estradas no concelho

O concelho de São Pedro do Sul, que foi severamente fustigado pelos trágicos incêndios de setembro passado, viu o seu apoio reforçado com uma adenda ao contrato de auxílio financeiro, por parte do Governo, ao Fundo de Emergência Municipal. No total, o município contará com 1,7 milhões de euros, após o acréscimo de cerca de 1,1 milhões de euros aos 600 mil euros anteriormente aprovados, para proceder a diversas reparações e requalificações de acessos rodoviários que ficaram danificados.
A adenda foi assinada na segunda-feira no salão nobre da Câmara Municipal de São Pedro do Sul. Na cerimónia, participaram Vítor Figueiredo, presidente do município, Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Isabel Damasceno, presidente da CCDR Centro, e Andra Gaspar Nikolic, diretor geral da Direção-Geral das Autarquias Locais.
As principais vias beneficiadas serão a ligação entre a aldeia de Sul e o São Macário e de Macieira ao Gafanhão, que apresentam limitações à circulação desde setembro. Nesta altura, a autarquia está a proceder ao levantamento topográfico das mesmas.
Na cerimónia, o autarca sampedrense lamentou que o concelho seja “reiteradamente atingido e martirizado por grandes fogos florestais, muitas vezes provenientes de concelhos vizinhos, como Castro Daire ou Arouca”. Contudo, vincou que “geralmente, os incêndios morre aqui, não os deixamos avançar para outros territórios”.
Vítor Figueiredo recordou os prejuízos deixados pelos incêndios, nomeadamente em povoações mais distantes da sede do concelho, como foi o caso de São Martinho das Moitas, “uma das freguesias que mais sofreu com os fogos”.
Na sua intervenção, Silvério Regalado reforçou a necessidade do registo e identificação das propriedades como estratégia de prevenção de incêndios. “Não conseguimos gerir o que não sabemos de quem é. Há milhares de parcelas sem registo, cujos proprietários já nem sabem localizá-las. É preciso identificar essas áreas e dar-lhes valor económico, para que deixem de ser combustível acumulado no território”, afirmou.
O secretário de Estado mostrou-se solidário com o autarca e com o sofrimento vivido pelas populações em setembro. “Sei bem o que é estar no meio de um incêndio, com a população a pedir ajuda e não haver meios para responder. É nesses momentos que os autarcas mostram o seu verdadeiro valor”, enfatizou.
Terminou a defender maior autonomia para as autarquias no futuro. “Gostaria que os municípios não dependessem tanto deste tipo de apoio do Governo. Hoje, as autarquias têm maturidade e responsabilidade para se autogerirem com eficácia”, adiantou.
Por sua vez, Isabel Damasceno deixou rasgados elogios ao autarca sampedrense, realçando o empenho que demonstrou na resposta à crise. “Vítor Figueiredo é alguém que concretiza. E isso faz toda a diferença. Não basta planear, é preciso executar, e ele tem sabido fazê-lo com eficácia”, asseverou.
A responsável relevou o papel do Estado em caso de tragédias, considerando que este é “fundamental para a reposição das condições mínimas de vida das populações afetadas”, porque, no seu entender, “quando o fogo destrói, é dever do Estado ajudar a reconstruir e as estradas são sempre das infraestruturas mais prejudicadas, porque o calor extremo danifica gravemente o pavimento”.

Abril 22, 2025 . 17:22

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