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Portugal, Espanha e França juntos para proteger o futuro das águas termais

No âmbito do projeto europeu ThermEcoWat, as Termas de São Pedro do Sul são o centro de um esforço internacional unido para responder aos impactos das alterações climáticas nos ecossistemas termais.

Realiza-se, no Balneário Rainha D. Amélia, nas Termas de São Pedro do Sul, o terceiro workshop do projeto internacional ThermEcoWat. Financiado pelo programa Interreg SUDOE, o projeto conta com um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros e tem como principais objetivos avaliar o impacto das alterações climáticas nos ecossistemas termais a longo prazo e desenvolver estratégias de adaptação que permitam antecipar as suas consequências ao nível socioeconómico.

Durante os trabalhos, está prevista a realização de várias ações colaborativas e troca de conhecimento entre cientistas, autoridades públicas e representantes do setor económico ligados ao termalismo nos três países envolvidos no consórcio, Portugal, Espanha e França. O objetivo passa por desenvolver ferramentas de governação colaborativa que promovam uma gestão mais eficiente da água mineral natural, valorizando-a como um recurso essencial para o desenvolvimento regional e a sustentabilidade das estâncias termais.

Este workshop conta com a presença de representantes das estâncias termais francesas Thermauvergne Association e BRGM Auvergne-Rhône-Alpes, das entidades espanholas Diputación de Ourense, Ajuntament de Caldes de Montbui, Institut Cartogràfic i Geològic de Catalunya e GEOPLAT Association, bem como dos representantes portugueses da Termalistur, empresa que gere as Termas de São Pedro do Sul, e do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

Em conversa com o Diário de Viseu, Ana Jorge, diretora operacional das Termas de São Pedro do Sul, afirma que este projeto é fundamental para o futuro do termalismo ao “ajudar a perceber que ações podemos ter para combater os efeitos nefastos das alterações climáticas e impedir que afetem as termas a nível económico e social”.

A parceria decorre desde 2024 até 2026 e já promoveu dois workshops, um em França e outro em Espanha, sendo agora a vez de Portugal acolher esta terceira etapa. Ao longo do projeto, estão a ser analisados três casos-piloto que permitem testar os impactos das alterações climáticas na atividade termal e na qualidade das águas. Ana Jorge defende que este tipo de trabalho conjunto é essencial pois “as termas são algo que envolve a comunidade, o poder económico, através da captação de investidores, e até político, pelo desenvolvimento da atividade e da região”.

No caso das Termas de São Pedro do Sul, o foco está em perceber de que forma as alterações climáticas podem afetar a qualidade das águas termais e como agir para contrariar esses efeitos. “Isso depois é algo que afeta a qualidade das águas e a eficácia dos mais variados tratamentos que temos com esse nosso recurso”, sublinha, acrescentando que é crucial impedir que essa realidade se reflita nas receitas da instituição. “Queremos evitar que essas consequências levem, por exemplo, ao despedimento de funcionários, o que colocaria em causa a continuidade deste projeto e do serviço que prestamos à região”, conclui.

Abril 8, 2025 . 16:00

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